06 setembro 2014

Romances diários

postado por Manu Negri



É difícil parar de olhar pra ela. Sério, vê se dá pra discordar de mim. Acho que não. Talvez só quanto ao que você acha mais bonito: se é a boca, os olhos verdes ou a pintinha marrom perto da orelha. Desculpa se pareço bobo, mas eu estou mesmo: bobo, apaixonado, de quatro. Dá vontade de gritar pro mundo inteiro.

Demorei sei lá quantos anos pra encontrá-la. Nessas horas eu até acredito em destino, sabe? Metades da laranja. Vidas passadas. Se quiser rir, fique à vontade. Mas nunca teve ninguém nesse mundo que me deixasse do jeito que estou: coração disparado, arrepiado, com as mãos úmidas. Olha só o jeito como ela ri, apertando os olhos; o jeito como coça a bochecha de maneira adorável. As mãos pequenas, que cabem perfeitamente nas minhas, como ela inteira cabe nos meus sonhos. Veja bem, eu, que há um tempo nem pensava em me amarrar a alguém, já me imagino fazendo o pedido de casamento. Talvez nem demore muito. Afinal, não faz sentido esperar quando você encontra a mulher da sua vida. A mãe dos seus filhos. Gêmeos, se os genes da minha família sobressaírem. Felipe pra menino e Maíra pra menina. Que, certamente, seria linda como a mãe, com esse mesmo sorriso, os mesmos cabelos castanhos e a mesma delicadeza que ela teve agora ao passar por mim, dar sinal e descer do ônibus.


0 comentários:

Postar um comentário