08 março 2015

Geyse Arruda, feminismo e palavrão

postado por Manu Negri



Geyse Arruda é nominho conhecido na mídia. Hoje, em 2015, ela aparentemente é atriz, empresária, modelo e continua com seu posto de subcelebridade (digo isso porque quem aparece vez ou outra no site do EGO é subcelebridade). Mas, infelizmente, ficou famosa no país em outubro de 2009, quando estudava na UNIBAN do ABC paulista e resolveu assistir à aula com um vestido rosa curto. Na ocasião, Geyse foi xingada de puta (além de outros nomes depreciativos curiosamente reservados à sexualidade da mulher) pelos alunos – e alunas! – e recebeu ameaças de estupro e violência física. A confusão foi tanta que a PM precisou ser acionada, levando Geyse embora da universidade vestindo um jaleco por cima da roupa.  Lembro que, em meio a amigos e colegas apoiando a reação dos alunos e julgando moralmente Geyse Arruda, me senti totalmente contra a maré. E foi aí que descobri o meu feminismo.

Ui, feminismo, aquela palavra que soa como palavrão pra muita gente que carrega preconceitos; gente que acha que feministas são ogras peludas odiadoras de homens que lutam para ser iguais a eles. "Feminismo é o contrário de machismo" e "Sou feminina, não feminista" são outras pérolas que já ouvi ao longo desses anos. Acontece que ser feminista nada mais é do que lutar a favor de igualdade nos salários, pelo fim dos papeis de gênero e da violência, pela representatividade feminina. E quando digo lutar, não significa necessariamente que saio às ruas com cartazes nas mãos, mas conscientizar-me feminista e conversar a respeito com outras pessoas já configura ativismo (viva os ativistas de sofá! – afinal, por causa deles aprendi mais sobre o movimento).

Demorei tanto tempo pra compreender a sociedade patriarcal na qual vivemos justamente pelo fato do machismo estar tão enraizado no dia a dia que às vezes fica difícil percebê-lo. Descobri meu feminismo na Geyse Arruda porque não importa o que ela vestiu pra ir estudar ou se ela se aproveitou do corpo depois pra fazer fama: nada justifica a violência que ela sofreu. Como feminista, luto para que meninas como ela não sejam expulsas da universidade por causa de uma roupa, em pleno século XXI. Converso sobre como a ditadura da beleza força mulheres a quererem se manter jovens pra sempre e com a aparência de um modelo quase inalcançável. Defendo a livre sexualidade da mulher, o direito de não querer ser mãe, a divisão de tarefas domésticas; me policio constantemente para não cair nos preconceitos diários disfarçados de machismos. Mas, principalmente, defendo a liberdade de escolha de cada uma, desde a mulher que quer ser engenheira aeronáutica à que prefere abdicar de seu trabalho para cuidar dos filhos e do marido em casa.


Por isso, o 8 de março é dia de relembrar com orgulho das conquistas femininas que marcaram a história, mas sem deixar de perceber que ainda estamos muito longe de uma sociedade igualitária de gêneros e que, para alcançá-la, a luta continua.

Sabe o que dói mais? Ver mulher machista, o que, na real, tem aos montes. Sabe aquelas mulheres, entre outras, que queimaram sutiã nas ruas umas décadas atrás? É por causa delas que você tem direito a votar e a trabalhar hoje. Por favor, não sejamos ingratas.

E a verdade é que provavelmente você é feminista, mas não sabe. Se quiser tirar a prova, responda às perguntas abaixo, tiradas do blog da Cynthia Semíramis:

1. Você concorda que uma mulher deve receber o mesmo valor que um homem para realizar o mesmo trabalho?
2. Você concorda que mulheres devem ter direito a votarem e serem votadas?
3. Você concorda que mulheres devem ser as únicas responsáveis pela escolha da profissão, e que essa decisão não pode ser imposta pelo Estado, pela escola nem pela família?
4. Você concorda que mulheres devem receber a mesma educação escolar que os homens?
5. Você concorda que pesquisas médicas devem ser feitas levando em consideração as diferenças biológicas (e principalmente hormonais) entre homens e mulheres?
6. Você concorda que mulheres devem ter autonomia para gerir seu dinheiro e seus bens?
7. Você concorda que mulheres devem poder escolher se, e quando, terão filhos?
8. Você concorda que uma mulher não pode ser punida por se recusar a fazer sexo ou a obedecer ao pai ou marido?
9. Você concorda que atividades domésticas são de responsabilidade dos moradores da casa, sejam eles homens ou mulheres?
10. Você concorda que cuidar das crianças seja uma obrigação de ambos os pais?

Cada resposta "sim" significa assumir um ponto de vista feminista.
Parabéns a todas as mulheres, PORRA (é, a gente fala palavrão também)!


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Esse post faz parte do tema E.T.C. de março do Rotaroots no Facebook, um grupo de blogueiros que quer resgatar um pouco da blogosfera old school.


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