30 setembro 2015

Filmes da semana #3

postado por Manu Negri


Por favor, não se sintam enganados. É claro que a seção Filmes da Semana não é a compilação de filmes que assisti numa mesma semana; eu apenas junto pelo menos 3 desde o último post, independente da data, pra poder dar sustança.  Não era minha intenção, aliás, publicar outro Filmes da Semana tão cedo, visto que o mais recente ainda aparece ali em cima, nos posts-destaque. Mas acontece que depois da viagem estive adoentada e minhas escassas energias foram gastas não escrevendo crônicas, mas deitadinha na cama, conferindo uns títulos bons, outros ótimos, outros nem tanto.

Bora?

Ninho de musaranho


Em Madri, nos anos 1950, vive Montse (Macarena Gómez) (MACARENA), uma mulher que sofre de agorafobia e cuida da irmã mais nova (Nadia de Santiago), já que a mãe morreu durante o parto e o pai abandonou as filhas. A doença de Montse faz com que ela se prenda dentro de um apartamento, piorando a situação. Um dia, a relação entre as irmãs começa a mudar com a chegada de um vizinho, Carlos (Hugo Silva).

Eu adoro thrillers espanhóis. O corpo, O labirinto do fauno e O orfanato são alguns que eu curto bastante (não sei se os dois últimos se encaixam corretamente no gênero) e direcionam a história pra um drama que fica bastante presente, dando um peso dramático maior ao filme. Em Ninho de musaranho isso também acontece. Ele é claustrofóbico, angustiante e me causou todo tipo de sentimento em relação à personagem da Macarena Gómez (MACARENA - minha idade mental afetada me permite rir dessas coisas), que deu um show de atuação. Porém, uns furinhos no roteiro e o fato do Paulo (ou foi o Rafa? não lembro) ter matado cedo a charada do filme fizeram com que o final perdesse força pra mim.

Dica: tem na Netflix, mas não com esse nome. Foi uma confusão achá-lo; tentem buscar por "Shrew's nest".



Grand Central


Gary (Tahar Rahim) é um jovem que aprende rápido, sempre mudando de um trabalho para outro. Após ser contratado em uma usina nuclear, ele encontra tudo o que sempre procurou: dinheiro, uma equipe e uma família. No meio dos reatores, ele se apaixona pela mulher de um colega (Léa Seydoux), e logo é ameaçado por esse amor proibido e pela constante contaminação radioativa.

Tahar Rahim, na França, está para Ricardo Darín na Argentina e para Wagner Moura no Brasil. Deu pra entender, né? O cara costuma mandar muito bem em tudo que faz (digo isso com a grande propriedade de quem assistiu a 0001 filme a mais com ele, mas que confia na opinião de amigos cinéfilos) e em Grand Central não é diferente. Num geral, as atuações são bem boas; Léa Seydoux é uma ótima atriz também, dispensa apresentações (vide a bicha poderosíssima em Azul é a cor mais quente). Estão esperando por um "mas"? Pois é, mas... a impressão que tive é que a diretora Rebecca Zlotowski não sabia se queria focar focar no drama das más condições de trabalho e no perigo dos reatores nucleares ou no relacionamento entre Gary e Karole. Além disso, acabei me importando mais com o destino de personagens secundários do que com o protagonista, o que é péssimo pro filme. Mas talvez tenha sido só eu, porque Grand Central tem ótima classificação no Rotten Tomatoes.



Não amarás


Tomek, um jovem de 19 anos munido de uma luneta, começa a observar a vida da sua vizinha, Magda, (uma mulher madura), que mora defronte ao seu apartamento. Ele fica obcecado por ela e enquanto observa sua vida sexual (na qual o amor não existe), ele esquematiza subterfúgios para se aproximar dela.

Falando em Rotten Tomatoes, vamos debater agora uma obra que tem 100% de aprovação no site. Não amarás na verdade é um filme originado de um média metragem do projeto Decálogo, do diretor Krzysztof Kieslowski, que reúne 10 episódios que contam histórias contemporâneas inspiradas nos dez mandamentos (inclusive já comecei a assistir e certamente merecerá um post aqui!). Dos episódios, apenas este e Não matarás foram parar no cinema. O nível stalker de Tomek pode assustar o espectador e por à prova sua moralidade, mas a sensibilidade com a qual a história é conduzida logo nos faz compreender a inocência e pureza do moço. Kieslowski consegue mostrar os dois lados de uma moeda, quem espia e quem é espionado, quem ama e quem não acredita no amor, conduzindo a um desfecho lindo que não precisa de palavras pra ser entendido.




Evereste


Baseado em fatos reais, Evereste acompanha a história que aconteceu em 1996, quando três equipes de alpinismo tentavam chegar ao ponto mais alto do mundo no Monte Everest. Mas a situação ficou complicada quando uma nevasca atingiu o local, causando vários acidentes e colocando a vida de todos em risco.

Acho que ainda está nos cinemas, né? EverestE (eu, heim) possui um elenco estelar que envolve Jake Gyllenhaal, Emily Watson, Keira Knightley, Robin Wright e Josh Brolin, entre outros, e tenta desenvolver o máximo que pode de cada personagem para não ficar um monte de gente solta na tela pra quem não damos a mínima. O filme consegue isso com sucesso razoável. Baseia-se no livro No ar rarefeito, de Jon Krakauer, mas torna o autor um personagem pouco importante na trama, já que o protagonista dessa versão (já existe um longa a respeito da tragédia, de 1997) é o líder de uma das equipes, Rob, vivido por Jason Clarke. A fotografia de Everest impressiona, com tomadas aéreas das montanhas de gelo para propositalmente nos fazer sentir pequenos diante daquela natureza monstruosa, e as cenas que envolvem a nevasca parecem muito realistas e de fato angustiam o espectador.  Eu particularmente terminei o filme com o coração apertado, apesar de ter revirado os olhos em relação a uma forçaçãozinha de barra nos clichês dramáticos. Afinal, tudo aquilo aconteceu de verdade.


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