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27 setembro 2017

A GHOST STORY: um dos filmes mais bonitos que já vi

postado por Manu Negri


A ghost story é uma história humana sobre um morto assombrado pela vida.

Neste filme lindo e delicado como poucos que vi nos últimos tempos, dirigido por David Lowery, Casey Affleck (Manchester à beira-mar) e barbiezinha Rooney Mara (Carol) são um casal apaixonado que mora numa casinha aconchegante de uma cidadezinha tranquila. Em um dia qualquer, como grande parte das coisas da nossa vida que nos pegam de surpresa, o personagem de Casey (que não possui nome, assim como o de Rooney) morre em um acidente de carro. Porém, incapaz de deixar esse plano terreno, seu fantasma volta para vagar no lar que dividiu com a amada.

Um fantasma, assim como na foto, do tipo que a gente assistia em desenho animado quando criança.

Aquela velha ideia de histórias de fantasmas, geralmente sob a ótica do terror, é subvertida aqui em uma visão emocionante, sensível e angustiante dentro do molde clássico do espírito atormentado e apegado a um determinado lugar. A apresentação do filme em formato 1:33:1 (como uma TV), com as bordas arredondadas, me remeteram diretamente àquelas pequenas fotografias antigas - como Polaroids -, a memórias que guardamos conosco (ou das quais nos tornamos prisioneiros), ajudando a construir um clima sufocante de silêncio, perda e solidão. Em A ghost story, os silêncios gritam. O luto está lá, gritando junto desta claustrofobia, fazendo com que uma cena da personagem Rooney comendo compulsivamente uma torta inteira durante cinco minutos pareça a coisa mais linda e triste do mundo.


23 setembro 2017

Mamãe do céu, vamos falar de "mãe!"

postado por Manu Negri


Depois de imergir os pezinhos em sais e dormir uma noite honesta de sono, acho que é hora de falar de mãe!, novo filme do meu querido Darren Aronosfky que merece ser apreciado, absorvido e debatido depois de esfriar um pouco a cabeça.

Coisa que geralmente não faço, pois, de ansiosa e fogo no brioco que sou, saio da sessão e:

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Mas mãe! (assim mesmo, em minúsculo, com exclamação) é uma loucura generalizada que só te deixa respirar quando os créditos sobem. Foi, de fato, preciso algum tempo para poder assimilar tudo (ou melhor, grande parte) que estava em tela. Habituado a retratar a degradação da estrutura psicológica/emocional humana, como fez muito bem em Réquiem para um sonho e Cisne Negro, Aronofsky repete a dose aqui (e quando digo repetir, não é fazer igual) com sua protagonista interpretada por Jennifer Lawrence, dentro dos moldes de um horror movie. Submissa e doce, ela vive sua rotina cuidando impecavelmente da casa que divide com o marido poeta (vivido por Javier Bardem) no meio de uma área verde, enquanto ele tenta escrever sua segunda e desejada grande obra. Num belo dia, a paz entre eles é prejudicada pela chegada de um desconhecido (Ed Harris), que pede estadia ali por um tempo. A partir daí, J-Law vai entrar numa montanha-russa de emoções junto do público.

A sinopse é suficientemente misteriosa. E, se antes eu achei que o trailer (ao fim deste texto) talvez entregasse demais, eu não poderia estar mais enganada: nenhum dos dois mostra 10% do que o filme significa.


07 setembro 2017

IT - A Coisa: a adaptação que a obra-prima de Stephen King merecia

postado por Manu Negri


Depois de cerca de 3 anos aguardando esse filme desde o anúncio de sua produção, ENFIM CHEGOU A HORA, MIGOS! Afinal, meu livro favorito de todos os tempos merecia uma adaptação decente, ao contrário da minissérie lançada em 1990 que consagrou o Pennywise de Tim Curry.

Mas, como comumente ocorre entre obras e suas adaptações, os livros tendem a ser mais densos. Aqui, essa regra não foge à exceção. A história de A Coisa se prolonga por cerca de 1.000 páginas e, ainda que esse filme seja longo e conte apenas a primeira parte do livro, é difícil repassar em tela todas as suas nuances. Além da nossa imaginação ser muito poderosa, a atmosfera que Stephen King constrói é maravilhosamente única: ele transforma uma cidade em um personagem, a ponto de praticamente traçarmos um mapa de todos os seus cantos, e apresenta com riqueza o universo de cada membro do Clube dos Perdedores.

Portanto, não: essa nova adaptação, do diretor Andy Muschietti (de Mama), não é cinco estrelas. Acho que, no fundo, eu nem estava esperando isso. Mas, felizmente, ela conseguiu captar o ponto mais importante do livro pra mim, que está muito acima do terror e do próprio palhaço: a relação entre as crianças protagonistas, que resistem aos problemas familiares, bullying, opressão e desajustes através da amizade que constroem.


17 agosto 2017

20 estreias imperdíveis no cinema neste semestre de 2017

postado por Manu Negri


Queridos leitores, trago verdades: o ano está voando.

Isso pode ser ruim do ponto de vista de quem já quer esconder a idade ou não colocou nenhuma das metas de Réveillon na prática, mas, por outro lado, é quando muitos filmes aguardadíssimos estreiam no cinema. Parte deles, aliás, passível de entrar na corrida do Oscar.

Por isso, a convite dos Combos Net, fiz uma lista de 20 longas que entrarão em cartaz a partir deste mês, que é pra todo mundo anotar na agenda e não perder as datas. E já tem filme que estreou hoje!


ANNABELLE 2: A CRIAÇÃO DO MAL



Anos após a trágica morte de sua filha, um habilidoso artesão de bonecas e sua esposa decidem, por caridade, acolher em sua casa uma freira e dezenas de meninas desalojadas de um orfanato. Atormentado pelas lembranças traumáticas, o casal ainda precisa lidar com um amedrontador demônio do passado: Annabelle, criação do artesão.

Inspirada na boneca da Xuxa, essa prequel é, segundo as primeiras avaliações já liberadas, o melhor filme derivado da franquia iniciada com Invocação do Mal. Peter Debruge, da Variety, disse que “[o diretor] Sandberg novamente brinca com a iluminação, composição e suspense, enquadrando tomadas de uma forma que nos deixa constantemente procurando sombras por vestígios de movimentos, à medida que ele desenha cenas para uma tensão máxima”.


28 julho 2017

Uma Nolete pé no chão assistiu Dunkirk

postado por Manu Negri


É chegada quinta-feira, dia de estreias de filmes no cinema e do ingresso a preço de banana cultivada ao som de Bach.

Dunkirk e Baby driver entraram juntos em cartaz. Era preciso escolher com sapiência onde realizar o investimento. Visto que raramente consigo tomar decisões que demorem menos de três horas, um fator crucial pra apostar em Dunkirk veio da direção do filme:

Christopher Nolan é meu pastor e nada me faltará
Uma afirmação divisora de águas neste blog. Causadora de discórdias. Provocadora de unfollows. Filha da Tormenta. Sim, eu sou uma Nolete - termo criado pelos haters do Christopher Nolan para designar seus adoradores. Nolan é amado e odiado talvez na mesma proporção pelos quatro cantos da internet. Enquanto uns o consideram um gênio, visionário e gato, outros o acham pedante, presunçoso e alguém que subestima demais a capacidade intelectual de seu público ao rodar cenas extremamente expositivas. Vide Interestelar, criticado pa bosta por esse motivo, mas que eu AMO AMO AMOOOO, ME PROCESSA, FOFA.

Apesar de Nolete (na minha definição particular: "acredito nesse cara e quero acompanhar sua filmografia"), não acho que ele seja um gênio, tampouco pedante. Mas um diretor talentoso que, como qualquer outro, merece que seus filmes sejam analisados individualmente, sem ser pré-bombardeado por causa de qualquer histórico.

Dunkirk é baseado na história da Operação Dínamo, que conseguiu resgatar mais de 330 mil homens da cidade de Dunkirk durante a Segunda Guerra Mundial. A operação envolvia a retirada da Força Expedicionária Britânica e de outras tropas aliadas do porto da cidade, cercado pelas forças nazistas.


30 junho 2017

20 filmes para celebrarmos o Orgulho LGBTI

postado por Manu Negri


Junho é o mês da celebração do Orgulho LGBTI - movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais,
Transexuais, Travestis, Transgêneros e pessoas Intersexo. Órgãos como a ONU e a Anistia Internacional elegeram esta denominação com um padrão para falar desta parcela da população.“Intersexo” é o termo comumente usado para designar uma variedade de condições em que uma pessoa nasce com uma anatomia reprodutiva ou sexual que não se encaixa na definição típica de sexo feminino ou masculino. Por exemplo, uma pessoa pode nascer com uma aparência exterior feminina mas com anatomia interior maioritariamente masculina. Ou nascer com genitais que se situam algures entre o feminino e o masculino. (retirado daqui)

Ou seja, existem muitas, muitas nuances na sexualidade e identidade de gênero humanas bem bacanas de serem estudadas e compreendidas. É complexo e maravilhoso. A diversidade existe e precisa sim ser mostrada, goste você ou não.

Se não gosta, morre que passa.

Mais especificamente no dia 28 de junho é quando se comemora esse Orgulho, principalmente nas famosas paradas LGBTI pelo Brasil, em que se reivindica cidadania e direitos pela luta contra a homofobia (em meio a muita festa pelo que já foi conquistado, claro). A origem desse movimento começou em 1969,  onde aconteceu em Nova York a Revolta de Stonewall. Na noite de 28 de junho desse ano, homossexuais que se encontravam no bar gay Stonewall Inn (que existe até hoje), depois de muitos conflitos com a polícia, finalmente resolveram enfrentá-la, permanecendo por vários dias confinados dentro do bar. Com isso, receberam o apoio de uma multidão de LGBTs que, amontoados do lado de fora, apoiaram a resistência. URRA!

Um ano depois, a primeira parada gay aconteceu na cidade. Desde então, esse fato histórico é celebrado anualmente para clamar a liberdade do movimento. E, pra não perder o mês que já está indo embora, convido você a assistir os 20 filmes que listo a seguir com personagens LGBTI apaixonantes (ficcionais e verdadeiros). 


25 junho 2017

AO CAIR DA NOITE é mais um filme do "novo terror"

postado por Manu Negri


Quando falo "novo terror", me refiro à recente leva de filmes do gênero que estão deixando de usar jump scares e outros elementos convencionais para focar em um terror sugestivo, psicológico, que prefere usar o seu clima angustiante como forma de assustar e deixar o público tenso; muitas vezes evitam mostrar o inimigo, monstrinho, espírito, zumbi, the monho ou outra coisa qualquer. E, mais do que isso, fazem da sua atmosfera um pano de fundo pra revelar um drama mais profundo ou uma crítica social. Os exemplos estão aí: Boa noite, mamãe, Raw (ou Grave), Corra!, O Babadook, Corrente do mal, A bruxa.

Falando em A bruxa (da mesma produtora deste aqui, a A24), senti um forte déjà-vu ao fim da sessão quando comecei a ouvir alguns murmurinhos de pessoas insatisfeitas. "Que filme horrível", "Isso não é terror", "Perdi meu tempo". Elas, que esperavam outra coisa de um longa de terror estranhamente exibido em somente um cinema da rede Cinemark de Belo Horizonte (aparentemente, culpa da Diamond Films, que tem pouca força no mercado). Que estão acostumadas aos tais enlatados que vez ou outra comento aqui no blog, com conceitos entregues de bandeja para servir ao entretenimento puro. Não estou dizendo que quem gosta de consumir apenas esse tipo de cinema está errado, óbvio, mas é injusto dizer que obras como Ao cair da noite são ruins porque não explicam o que você vê em tela. Sinto falta de mais reflexões sobre o que acabamos de assistir; de afastar a preguiça de pensar que toma conta de boa parte do público que faz questão de gastar dinheiro em um ingresso; porque esse filme pede justamente isso: reflexões.

VOU NEM MENCIONAR ROTTEN TOMATOES.


01 junho 2017

A DC acertou a mão em Mulher-Maravilha

postado por Manu Negri


Depois de me encantar com a trilogia do Batman (porque é Deus no céu e Christopher Nolan na Terra), assistir a 400 filmes do Homem-Aranha e me divertir com o pacote X-Men, cansei de super-heróis no cinema. Passo reto. Também não sei o que significa a guerra DC vs. Marvel. Hoje cheguei na ~firma, por exemplo, perguntando que treta era essa, e me informaram que os filmes da Marvel costumam ser mais leves e divertidos, enquanto os da DC são mais "realistas" e sombrios, e que Mulher-Maravilha era uma aposta pra fazer o nome do estúdio se fortalecer novamente depois de lançamentos de alguns embustes. Se eu estiver escrevendo bobagem, culpem meus colegas de trabalho.

Mas não foi isso que me fez mudar de comportamento e comprar um ingresso pra pré-estreia de Mulher-Maravilha ontem. Foi o fato de estarmos diante de uma adaptação dos quadrinhos com uma protagonista feminina, levantando a relevância do que significa representatividade de mulheres no cinema atualmente, e porque eu sou uma filha da pyta pedante que se importa com os mais de 90% de aprovação do filme no Rotten Tomatoes.


23 maio 2017

The keepers: quem matou a irmã Cathy?

postado por Manu Negri


Um combo é um combo, né, mores? Primeiro, é uma série documental que aborda um crime não solucionado. Segundo, é dos criadores de Amanda Knox e Making a murderer. Terceiro, é uma obra original Netflix; ou seja, tava dando sopa lá na home da plataforma, só me esperando dar o play.

O que significa que passei sete horas do meu último fim de semana enfurnada no quarto, de cabelo sujo, vivendo de pipoca e guaraná. De novo.

Desde sempre eu sou fascinada por histórias de crimes complexos, serial killers, mistérios, casos inconclusivos e, por isso, foi grande a minha alegria e surpresa ao abrir a Netflix e me deparar com uma nova obra original andando por esses caminhos. The keepers, que estreou no dia 19 de maio provando que não é preciso computação gráfica, castelos e dragões para criar uma abertura que nunca dá vontade de pular, traz a história real (claro, dã) da freira Cathy Cesnik, desaparecida e encontrada morta 2 meses depois em Baltimore no ano de 1969. Apesar das circunstâncias estranhas – um bairro extremamente pacífico e sem índices de homicídios; seu carro estacionado próximo ao seu apartamento, sujo de lama e com metade da bunda na rua –, ninguém encontrou o assassino. Com o passar dos anos, o caso ficou envolto por uma atmosfera de lenda urbana, sempre lembrado com lástima e sentimento de injustiça pelos moradores locais. Principalmente por duas senhoras em especial, Abbie e Gemma, ex-alunas aposentadas de Cathy que decidiram investigar por conta própria o ocorrido com sua professora favorita, convictas de que seriam capazes de chegar a uma conclusão. Mas, à medida que desenterravam a história da freira, descobriam uma cadeia de segredos horríveis escondidos no seio católico da cidade.

A teoria mais lógica era que Cathy estava prestes a escancará-los para o mundo.


16 maio 2017

The handmaid's tale: a nova série do Hulu que você deveria estar assistindo

postado por Manu Negri


Eu não quero saber de Game of Thrones.
Não quero saber de Stranger Things (mentira, quero sim).
Se bobear, não quero nem saber de Westworld.

Só quero ver The handmaid's tale passando o rodo no Emmy, no Oscar e até no Melhores do Ano do Faustão.


Pode ser cedo pra colocar meus dedinhos no fogo, sendo que só assisti aos cinco episódios disponíveis até o momento, mas The handmaid's tale conseguiu me arrebatar com pouca coisa e já é considerada uma das grandes estreias de 2017.

Produzida numa parceria entre a MGM e o Hulu (serviço de streaming tipo Netflix), a série foi lançada no dia 26 de abril e, com uma semana (os episódios por lá são liberados semanalmente, como acontece em emissoras de TV), já foi renovada para a segunda temporada  sendo a a melhor estreia do Hulu entre produções originais e adquiridas. As críticas, por sua vez, receberam The handmaid's tale com ótima aceitação: lá no Rotten Tomatoes, que eu tanto menciono em meus posts ~cinéfilos, está com 100% de aprovação aka. 71 críticas positivas e 0 negativas.


12 maio 2017

CORRA! é maior que o seu hype?

postado por Manu Negri


Jordan Peele é conhecido por escrever projetos de comédia, como a série de cinco temporadas Key and Peele. Em Corra!, seu primeiro longa como diretor e roteirista, ele mescla as nuances do humor e do thriller para apresentar uma Crítica Social Foda™ sobre racismo. Se esse cenário já não fosse instigante o suficiente, pense que o filme tem 99% de aprovação no Rotten Tomatoes, angariando simplesmente 229 críticas positivas contra apenas 1 negativa. Um feito raro para obras do gênero atuais.

PENSA onde estavam as minhas expectativas.


17 abril 2017

Filmes da semana #10

postado por Manu Negri


Temos um novo FILMES DA SEMANA! AÊEE, TIA!

Hoje completam vergonhosos 6 meses desde que publiquei o post mais recente dessa série, o que me faz pensar que eu deveria mudá-la para FILMES DO SEMESTRE. Posso ficar justificando, dizendo que a corrida das premiações no fim de 2016 foi a grande culpada para eu focar nos candidatos ao Oscar, O QUE É VERDADE, mas prefiro partir para cinco diconas legais de filmes recentes pra vocês colocarem na listinha, passarem um pano nisso e me perdoarem. Em breve, teremos uma nota categoria por aqui também. <3


23 março 2017

A Fera, a nostalgia e a melhor princesa da Disney

postado por Manu Negri


Finalmente assisti à A Bela e a Fera. Foi um longo trajeto de uma semana frustrada entre sessões lotadas e/ou caras, até que cedi, em nome da minha sanidade emocional, a pagar por um ingresso um valor que apenas concordo quando se trata de pratos de comida elaborados.

Eu entrei na sala sabendo que nada poderia ser superior à animação dos anos 1990, que é, junto de O Rei Leão, minha animação favorita da Disney. Sabia, também, que essa live action era 95% igual à história da obra original. Muita gente criticou a ausência de originalidade, a "necessidade" de produzir o filme diante desse cenário, e eu só consigo pensar: tá tudo bem, gente. A proposta, creio eu, sempre foi recriar A Bela e a Fera de sempre, só que com seres humaninhos. Por isso, decepção passou longe de mim.

Como obra, achei o longa bonzinho. Mas, se considerarmos o grande e principal fator nostalgia, me acertou em cheio, bem na cara. E era isso o que eu estava procurando. Quando o castelinho da Disney e a rosa apareceram na tela, agarrei os braços da poltrona do cinema. Quando os habitantes da vila começaram com seus Bonjour, a boquinha tremeu. FEELINGS, minha gente, FEELINGS. Não sei nem explicar como A Bela e a Fera é capaz de me tocar de diversas maneiras, mas a principal delas diz respeito à mensagem de amar e aceitar alguém pelo que ela é, muito além do que as aparências mostram (inclusive falei disso no meu texto sobre o livro Extraordinário). E a Bela, em particular, me conquistou desde a primeira vez em que assisti à animação: gentil, altruísta, corajosa e muito à frente do seu tempo, era o tipo de personagem feminina que fugia dos estereótipos dos contos de fada da época e, por isso tudo, continua sendo a minha princesa favorita. Chupa, Frôze.


21 fevereiro 2017

Oscar 2017: tretas, atuações e filmes favoritos

postado por Manu Negri


Bem, migos e migas, faltam poucos dias pra cerimônia do Oscar 2017 e eu tinha prometido o que há uns dois meses? Assistir a todos os indicados de todas as categorias. Se eu consegui? Claro que não. Mas admiro esse meu otimismo, que nunca morre, de fazer as mesmas promessas a cada ano (exceto começar academia; dessa vez deixei pra lá).

Pelo menos deu pra fechar todos os concorrentes das categorias principais. E, dessa vez, achei os indicados a Melhor Filme, num geral, num nível mais alto se compararmos com a categoria de 2016. Talvez eu estivesse com uma birra filha da mãe pela esnobada que deram em Carol. É provável. Mas estava difícil me encantar. Anyway, é a primeira vez em eras que vou conseguir assistir ao Oscar inteiro sem ficar preocupada em acordar cedo no dia seguinte por motivos de trabalho, YAY! Obrigada, Carnaval. Eu sabia que você ia servir pra alguma coisa um dia.

Lembram da polêmica do Oscar So White que rondou a cerimônia do ano passado? Outra coisa boa da edição de 2017 é que temos vários atores negros concorrendo aos prêmios, além de filmes com protagonismo negro (e que não contam histórias sobre escravos ou empregadas domésticas quase escravas), como Moonlight, Um limite entre nós e Estrelas além do tempo. Isso é essencial pra representatividade de qualquer minoria social. E, como Viola Davis disse na entrega de seu Emmy em 2015, como vão premiar negros por papéis que não deram a eles? Bom, ainda bem que as coisas evoluíram um pouco nesse meio tempo. Que continue nesse ritmo.

Abaixo, em ordem de preferência, os filmes da categoria principal do Oscar, do que gostei e do que não gostei e quem acho que vai ganhar (como se fosse difícil prever). :D


21 janeiro 2017

A força de Moonlight está em suas sutilezas

postado por Manu Negri


Quem me acompanha no Twitter e leu o texto sobre La la land sabe o quanto eu estava esperando pra assistir Moonlight. Ele é um desses filmes que crescem na nossa memória com o passar do tempo, e eu precisei de um tempo pra poder digerir e entender as suas nuances antes de vir aqui. 

Considerado por boa parte da crítica mundial como o melhor filme de 2016, tem 98% de aprovação no Rotten Tomatoes, 99 no Metacritic, atuações aclamadas, conquistou o Globo de Ouro de Melhor Drama deste ano e consta como um dos favoritos ao Oscar. Moonlight é uma jornada bastante intimista de seu protagonista, Chiron, dividida em três fases de sua vida infância, adolescência e idade adulta , em que ele luta para construir sua identidade e sexualidade em uma sociedade extremamente machista e violenta


13 janeiro 2017

La la land é uma preciosidade

postado por Manu Negri


Ontem foi a pré-estreia de La la land, um dos favoritos para entrar na corrida do Oscar. O que posso dizer? É um desses filmes que dá vontade de guardar num potinho, de tão adorável.

Mas, antes, uma confissão: paguei língua.


Sou especialista em tecer comentários requintados no Twitter. Esse foi publicado durante a exibição do Globo de Ouro, quando via La la land abocanhar todos os prêmios que torci para Moonlight levar. E, detalhe: eu não tinha assistido a nenhum dos dois ainda; Moonlight só estreia em fevereiro no Brasil, mas como a gente precisa se agarrar a alguma produção pra deixar a premiação mais emocionante, fui conquistada pelo trailer e pelos fucking 98% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Não que o Globo de Ouro tenha algum valor a não ser o buzz, mas é a primeira vez que um filme ganha 7 estatuetas – incluindo Melhor Filme de Comédia ou Musical. Sim, La la land é um musical, e, apesar de constar 3 musicais na minha lista de filmes favoritos da vida (Moulin Rouge, Chicago e Dançando no escuro), tenho uma pequena resistência a eles. Se você também tem, tente quebrá-la. Não prive-se de passar a sessão inteira assim:



06 janeiro 2017

The OA: uma série problemática que não consegui parar de assistir

postado por Manu Negri


[alerta de SPOILERS!]

The OA, a nova série original da Netflix, estreou em dezembro sem muito alarde, poucos dias depois da plataforma liberar um trailer de menos de dois minutos que não entrega quase nada, mas está recheado de mistérios. Criada pela dupla Brit Marling (que também interpreta a protagonista) e Zal Batmanglij (também diretor), responsáveis por filmes como A outra Terra, A seita misteriosa e O Sistema, e produzida por Brad Pitt, The OA fala pouco de si na sinopse, e com toda razão. Tudo que sabemos é que uma mulher chamada Prairie, após ser dada como desaparecida por sete anos, é encontrada depois de uma aparente tentativa de suicídio e retorna para os braços de sua família. O detalhe é que, ao sumir, Prairie era cega, e agora está enxergando. Ela tem dificuldades de se abrir com as pessoas sobre o que aconteceu nesses anos de ausência, possui cicatrizes bizarras nas costas e se transforma na nova "celebridade" da cidadezinha onde mora, que está alucinada pela sua história de vida.

Com um formato diferente, The OA apresenta 8 episódios com durações que variam entre meia hora e mais de uma hora, com passagens de um para outro mais fluidas do que em séries com que estamos acostumados, dando a sensação de um filme bem longo dividido em capítulos. O primeiro episódio me comprou totalmente. Eu estava completamente eufórica, pulando na cama, pronta pra comprar as alianças e jurar amor eterno à série. Mas, a partir do terceiro episódio, várias coisas começaram a me incomodar de forma irreversível.


02 janeiro 2017

Os (meus) melhores filmes de 2016

postado por Manu Negri


Foram 83 filmes assistidos em 2016 (será que em algum ano eu passo pelo menos dos 100? #juninha). Apesar de os premiados do ano começarem a aparecer só em meados de novembro e dezembro, nós, brasileiros, somos prejudicados porque a maioria deles estreia só a partir deste 2017 (como Moonlight, La la land, Manchester by the sea, Toni Erdmann e Eu, Daniel Blake).

Mas no ano passado e enterrado há apenas 1 dia, fui agraciada com produções sul-coreanas e brasileiras, com invasões zumbi, suspense, drama interracial, um olhar no centro do holocausto e muitos roteiros incríveis. :)

Seguindo a cultura desse bloguinho de anos anteriores, aí vão os 15 melhores filmes que assisti em 2016 (não importando seu ano de lançamento!):



15. ROGUE ONE: UMA HISTÓRIA STAR WARS, 2016, de Gareth Edwards | Trailer

Enquanto esperamos pelo oitavo episódio da saga, ABAIXA QUE É TIRO (literalmente) com essa história que se passa antes do Episódio IV: Uma Nova Esperança, que narra a missão de um grupo de rebeldes de roubar os planos da famosa Estrela da Morte, a fim de detectar seu ponto fraco e poder destruí-la.

Confesso que até a metade do filme eu não estava dando nada, achando a personagem da Felicity Jones não muito carismática e a química entre o grupo principal fraca, mas aí tudo começou a ficar substancialmente melhor. As últimas cenas são de tirar o fôlego, PRINCIPALMENTE a final. É um ótimo filme de guerra, e acho que o único de Star Wars que parece uma guerra real, talvez pelo forte apelo dramático e pelos sacrifícios e perdas inerentes a confrontos assim. Me senti no campo de batalha.


25 novembro 2016

'A chegada' é um dos melhores filmes do ano

postado por Manu Negri


Vamos começar o texto com um fato talvez inquestionável atualmente: Denis Villeneuve é um homão da pirra.

Provavelmente no auge de sua carreira, o diretor canadense foi responsável por filmes ótimos como Os suspeitos e Sicario – Terra de ninguém e pelo sensacional-incrível-foderoso Incêndios (está na Netflix. Faça um favor a si mesmo e assista). E agora, com A chegada, acredito que Villeneuve definitivamente possui uma filmografia invejável. O cara só acerta.

Inspirado no conto História da sua vida, de Ted Chiang, o longa acompanha Louise Banks, uma renomada linguista que é recrutada pelo exército americano para que consiga estabelecer um diálogo com alienígenas, depois que 12 naves pousam em pontos distintos do planeta. Sendo comparado a rodo com Contato (de 1997, com Jodie Foster), A chegada ultrapassa o convencionalismo do gênero sci-fi ao nos entregar uma história densa, complexa, sensível, elegante e melancólica; uma história que aborda o encontro entre humanos e seres estrangeiros, repleta de humanidade em seus personagens e narrativa.


16 novembro 2016

Faltou sustança em 'Pequeno Segredo'

postado por Manu Negri


Você já tinha ouvido falar nos Schürmann? Se sempre costuma acompanhar os noticiários, então provavelmente sim. Mas, se não: eles são uma família de Florianópolis famosa por velejar ao redor do mundo, sendo, inclusive, a primeira família brasileira a circunavegar o mundo num veleiro. Lançaram livros. Deram entrevistas. E, agora, fazem filmes.

Pequeno segredo é baseado em um dos livros, escrito por Heloísa, a mãe, chamado Pequeno segredo – A lição de vida de Kat para a família Schürmann, que conta a história de como a filha caçula Kat conseguiu transformar sua rotina para melhor. Transformação que tem a ver com esse tal segredo e que, ao contrário de sinopses irresponsáveis por aí, não vou revelar, pois se trata do maior spoiler do filme. Claro que se você por um acaso já acompanhou esse aspecto da vida dos Schürmann, não será surpresa nenhuma.

Pequeno segredo estreou no Brasil neste mês após rolar uma polêmica com a comissão nacional que escolheu o filme para tentar uma vaga na corrida do Oscar 2017, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, em detrimento de Aquarius - um longa até então premiadíssimo no mundo inteiro e grande favorito para representar o Brasil (escrevi sobre ele aqui). Parte da crítica quase morreu de desgosto com a surpresa. Muitos apontam critérios políticos, e não cinematográficos, da escolha; afinal, a equipe de Aquarius protestou contra o impeachment da ex-presidenta Dilma no Festival de Cannes deste ano. Bom, se foi treta política, eu não sei (mas não duvido nem um tico). E agora que assisti aos dois, posso dizer que Aquarius e Pequeno segredo são longas bastante diferentes entre si, mas achei o primeiro de fato superior. Muito superior.