06 agosto 2015

Quadrinhos de guerra

postado por Manu Negri



As guerras históricas já foram retratadas em exaustão em filmes, documentários, livros biográficos e de ficção. Mas nem todo mundo está familiarizado com histórias em quadrinhos porque, vamos combinar, rola sim um preconceitozinho. É aquele lance de "ah, mas desenho?", "ah, mas não é coisa de criança?", "super-herói?".

Referenciando Jout Jout, vamos "destabulizar" as coisas (do verbo "acabar com o tabu"). Não é porque uma história é contada através de ilustrações que ela automaticamente vai ser infantilizada. Uma prova disso é a série de mangá (quadrinhos japoneses) (ih, lá vem outro preconceito) Gen Pés Descalços: Keiji Nakazawa relata em 4 volumes o drama do garoto Gen, o alter ego do autor, um sobrevivente da bomba de Hiroshima que precisa lidar com as consequências da destruição na cidade e com a morte de grande parte da família.

Por mais que os traços do desenho não sejam tão elaborados, a cadência de acontecimentos é suficientemente chocante para ficar em evidência. Baseado na própria história de vida de Nakazawa, Gen narra os primeiros momentos antes da bomba cair na cidade, os detalhes da devastação, o desespero, as mortes e a dificuldade em tocar a vida em meio ao caos e falta de comida. É tudo muito impressionante, muito triste e uma grande representação do quão covarde e doente o ser humano pode ser (e depois os EUA vêm falar de terrorismo). A série, inclusive, virou um marco: ganhou live actions, série de TV, animes e até uma ópera.


Já em Maus, de Art Spielgerman, o período da Segunda Guerra retratado é o Holocausto. O escritor expõe a trajetória de seu pai – judeu na era Hitler – e todo seu sofrimento para conseguir sobreviver, contando como os efeitos da guerra atingiram as gerações da família. É impossível não se emocionar e se colocar no lugar dos judeus, da sua luta e dor. Foram tão tratados como animais e sem um pingo de dignidade, que me pergunto COMÉQUI os soldados nazistas conseguiam deitar a cabeça no travesseiro à noite. Digamos que o pai do Art foi bastante forte, perspicaz e dotado de muita, muita sorte pra escapar vivo.

Ah, Maus, em alemão, significa “ratos”. É outra coisa interessante da HQ: os judeus são retratados como ratos, os alemães como gatos, os poloneses como porcos, os franceses sapos e os americanos, cachorros. Foi uma pegada sarcástica do autor, já que nas propagandas nazistas os judeus eram realmente representados por ratos.




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