03 agosto 2015

Terror psicológico de qualidade em "Goodnight mommy"

postado por Manu Negri



Terror é um dos meus gêneros favoritos no cinema e sei o quanto tem sido difícil um lançamento de qualidade nos últimos anos. Mas, pela graça dos deuses, em 2014 The Babadook surpreendeu pela proposta diferente e seu viés psicológico, caminho também trilhado por Goodnight Mommy (que considero muito melhor), um filme austríaco dirigido por Severin Fiala e Veronika Franz.

Na história, os gêmeos de 10 anos Lukas e Elias passam os dias brincando em sua enorme casa de campo à espera da volta da mãe, que está internada no hospital devido à uma cirurgia plástica no rosto. Mas, quando ela finalmente chega, o cheiro de merda está evidente (no sentido figurado, galera).

Com ataduras cobrindo quase toda a face, a mãe dos meninos não só passa os dias escondida como está mais distante, rígida e irritadiça. Antes uma figura que trazia consolo e paz, ela agora causa tensão e medo nas crianças, que começam a desconfiar se ela é realmente sua mãe. E é essa desconfiança o fio que conduz toda a narrativa do filme.

JesusMariaJosé
Colocou uma casa isolada no campo, canaviais e crianças num filme de terror, é batata. Mas Goodnight mommy não tem a intenção de te dar sustos. O propósito é manter um clima de tensão constante, em que você procura identificar em cada cena algo que fortaleça a suspeita de que aquela mulher é uma intrusa. Mas, se é uma intrusa, então onde está a mãe verdadeira? O que essa usurpadora quer (procurando por su amor)? O que pretende fazer com os gêmeos? O rosto dela, enquanto permanece oculto pelos curativos, contribuem e muito para criar um aspecto monstruoso, como se a mulher não fosse de todo um ser humano.

Tem gente que detesta quando o ritmo do filme é lento. "Ah, APESAR de lento, eu gostei, etc. etc.". Passou da hora de entenderem que existem formas diferentes de contar uma história e que a dinâmica acelerada das produções americanas não é referência única no cinema. Goodnight mommy é, sim, lento, mas é justamente esse desenrolar sem pressa que ajuda a criar a atmosfera angustiante; o jogo de cenas é interessantíssimo, nos dando pistas sutilmente ao longo da projeção e construindo uma incógnita ao redor da suposta mãe. Os silêncios, no lugar de uma trilha sonora, são a cereja do bolo. E, ao final das quase duas horas, quando a charada enfim é revelada, a sensação é de que temos aqui uma bela surpresa em meio a tantas produções de terror que são uma cópia da cópia barata de outro. Filmaço!

UPDATE: é o indicado da Áustria para concorrer a uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.




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