23 dezembro 2015

Minha experiência com Star Wars

postado por Manu Negri


Eu nunca tinha dado bola pra Star Wars, mas achava curioso o hype. Neste ano, comecei a passar vergonha depois de comprar (por 10 reais, tentando justificar) uma capinha pro meu celular que brinca com Starbucks Coffee e a saga. Fãs mal reparavam quando eu apanhava meu celular e já tentavam puxar papo, introduzindo o episódio VII que estava pra estrear, e ficavam não apenas decepcionados com minha resposta, mas OFENDIDOS. A coisa piorou quando invadi a Riachuelo em busca de peças da coleção do filme, sem saber exatamente o porquê. Era hora de repensar minhas atitudes, parças.

Estava preparada para, enfim, assistir a todos os episódios. Infelizmente, como a maioria das pessoas que consome muita cultura pop, eu já sabia de vários spoilers: [Darth Vader é pai do Luke, Luke e Leia são irmãos, I love you, I know, etc]. Gostaria de ter sido surpreendida, mas acho que minha experiência não foi tão prejudicada como imaginei. Quis até fazer tudo certinho e, por isso, pesquisei sobre uma tal ordem dos filmes que eu deveria seguir.

ATENÇÃO NA DICA, AMIGUINHOS INICIANTES
A ordem que me recomendaram assistir: IV, V, II, III, VI
Por que: galera da ~velha guarda~ diz que pode ignorar o episódio I, e eu tô concordando com força. A trilogia original, por assim dizer, é composta pelos IV, V e VI, mas entre o V e o VI talvez seja interessante assistir os episódios dos anos 2000 pra entender a história do Anakin. 

A ordem que eu assisti: I, IV, V, II, III, VI
Por que: foi sem querer. Meu sobrinho queria fazer maratona e insistiu que não existe ordem nenhuma e que deveríamos começar a história cronologicamente falando, e não pela ordem de lançamento. Evitei a fadiga e fui. 

A ordem que todo mundo deveria seguir: IV, V, VI
Por que: risos. Então: já disse que concordo que o episódio I é descartável pra entender a coisa toda. Mas o maior problema, pra mim, é que a trilogia dos anos 70/80 é completamente diferente da produzida há 15 anos. Por mais que esses episódios recentes contem com tecnologia e efeitos impossíveis de fazer na época em que George Lucas concebeu a história, achei os personagens pouco cativantes. O pano de fundo é bem chatinho também: Senado, TAXAÇÃO DE ROTAS COMERCIAIS, politicagem complicada de entender, matem a rainha Padmé, ela tem que assinar isso e aquilo, oh Deus lá vem os Sith, peruca mal feita do Anakin adolescente, diálogos sofríveis, muito efeito que deixa as coisas artificiais demais, etc. É legal quando a tecnologia ajuda a tornar os elementos do filme mais realistas, mas prefiro muito mais os bonecos a la Super Xuxa contra o Baixo Astral dos episódios antigos.


Acho o episódio III o mais consistente da leva ruim porque é nele que a gente compreende as motivações do Anakin pra escolher o lado sombrio da Força. Mas, se alguém quiser pular todos eles, euzinha acho que não vão fazer tanta falta assim.

Os personagens da trilogia clássica são o oposto: muito, muito empáticos, e têm uma dinâmica que funciona bem  até mesmo os droides despertam mais humanidade, como o R2-D2 e o C3-PO, que também são o alívio cômico de várias cenas, ao contrário do insuportável JarJar Binks dos episódios recentes. Luke é um banana gente boa que melhora com o tempo, Han Solo sem comentários maravilhoso, Chewbacca quero um, Yoda zueiro e princesa Leia chutadora de bundas, o que achei ótimo. Essa foi uma das surpresas que eu tive, porque eu imaginava uma mocinha passiva esperando ser salva. Um resumo do que foi assistir a Star Wars, aliás, é: uma grande aventura muito gostosa de acompanhar. Tento imaginar como aconteceu pra quem foi introduzido no universo lá em 1977 e teve que esperar anos pra assistir aos próximos episódios. Star Wars foi um marco na história do cinema por diversos motivos e, claro, deve ter sido uma experiência muito mais intensa e épica. 


Episódio VII: O despertar da Força

Minha missão terminou ontem na sessão das 22h10 do novo filme e posso dizer que foi o que mais gostei por motivos de:

Rey: rainha da porra toda
Como é que eu posso me livrar das garras desse amor gostoso?, me pergunto. Estou apaixonada pela personagem. Cheia de mistérios, fala linguagem droide, fala linguagem Wookie, é catadora de sucata, passa fome, luta bem, tem bom coração, solitária, sempre suada porém linda. A atriz, Daisy Ridley, mandou bem demais no papel. É impressionante como ela consegue transmitir tanta coisa (com veracidade!) somente através dos olhos. 

E tá, claro que não foi o filme que mais gostei (só) por causa da Rey: O despertar da Força é visualmente lindo, tecnicamente irrepreensível, tem vários momentos de humor que caem muito bem, a atuação num geral está BEM melhor do que nos outros episódios e traz a nostalgia necessária das outras histórias. Se eu, que tinha acabado de assistir a O retorno de jedi horas antes, fiquei com pressão baixa quando o Han e a Leia apareceram, imagino os fãs antigos. E o que falar do droide BB-8? Quero um pra levar pra passear e dar banho no pet shop. 

Achei o universo (literalmente) do filme muito mais crível e realista, assim como as lutas menos cheia de piruetas (quero até evitar lembrar do Yoda andando de bengala mas lutando como um acrobata de circo); as cenas de ação impressionam e colocam o espectador dentro das naves em voo. A única coisa que me incomodou foi o fio condutor da história, que me pareceu familiar demais, se é que me entendem. Puta karma o dessa família Skywalker. Não que o novo vilão seja um Darth Vader wannabe simplesmente: ele é muito mais humano e vulnerável que outro, o que curti bem.

Agora que tenho minha carteirinha de fã de Star Wars, poderei participar do novo hype que virá junto do episódio VIII  e que sabe lá Deus quando vai sair. O final de O despertar da Força certamente fez o público do cinema suplicar por uns segundos a mais e deixou um gancho foda. Que venham o próximo filme e uma nova razão pra eu querer comprar mais funkos na Amazon.  


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