09 abril 2016

"Caixa de pássaros" é uma cilada, Bino!

postado por Manu Negri


Caixa de pássaros figurou como um dos destaques do Skoob por um bom tempo, mas eu só o incluí na minha meta do ano depois que um amigo (que conhece meu apreço por histórias de suspense) me indicou. Foi amor à primeira lida da sinopse: achei a premissa superintrigante, um livro que tinha tudo pra ser uma obra inesquecível do gênero, escrito por um carinha estreante.

Eu estava certa. É mesmo inesquecível.
De tão merda.

Acompanhe comigo: Malorie tenta sobreviver num mundo pós-apocalíptico sozinha, com seus dois filhos pequenos. Quatro anos antes, o planeta inteiro sofreu um surto bizarro de suicídios, precedidos de comportamentos ultraviolentos das pessoas. Aos poucos, chega-se à conclusão de que essas vítimas teriam visto alguma coisa misteriosa que despertou a reação desmedida. Com isso em mente os assombrando, os sobreviventes arrumavam maneiras de seguir a vida a partir de uma única regra: é proibido olhar pro lado de fora de casa.

Fala sério, sinopse do caramba, não? Li Caixa de pássaros em menos de seis dias, um recorde pessoal que não quebro há MUITO tempo, por dois motivos: 1) é ridiculamente fácil de ler e 2) fui movida por uma curiosidade insana de descobrir o mistério. O problema é quando é fácil de ler porque a narrativa é pobre e você não fica nem um pouco satisfeita com o desfecho da história.

Josh Marleman não faz nenhuma questão de ser detalhista. Sua objetividade quase fria não me incomodou a princípio  já que eu estava curtindo o ritmo acelerado da leitura , mas depois de um tempo começou a deixar a desejar. Bastante. Com exceção (um pouco) da protagonista, achei os personagens pouco desenvolvidos, amarrações preguiçosas de situações que deveriam ser muito mais tensas e, os diálogos, ruins. Tudo contribui para que a abordagem da história soe superficial. Simplesmente não consegui me conectar com as pessoas e com o que elas estão vivendo.

Talvez tenha faltado sutileza ao autor. Menos momentos expositivos. Eu não quero ler "Malorie ficou mais forte", eu quero ler um parágrafo em que eu entenda o porquê de ela ter ficado mais forte, sem precisar falar isso. Ou, no mundo ideal, dezenas de páginas anteriores que apresentem Malorie em situações que, após um tempo, a deixassem mais forte. Dá pra compreender?

O triste é que Malerman parece acreditar que conseguiu criar um atmosfera melancólica com as ligações emocionais entre leitor e personagens, e uma prova disso é a puta forçação de barra do final do livro. Os filhos de Malorie, que mencionei na sinopse, são chamados de Garoto e Menina pela mãe sem o menor motivo. Eles simplesmente não têm nomes. Parece mais uma coisa de "ai nossãn, vou deixar eles aqui sem nomes pra reforçar esse ar apocalíptico". Aí, no fim, ela finalmente batiza os dois de nomes que significaram algo pra ela ao longo da história, mas que, ao menos pra mim, não surtiu nenhum efeito. Era pra teoricamente ter sido emocionante, mas só consegui olhar pro teto e soltar uma bufada de vergonha alheia.

Malerman, melhore. Coma mais arroz e feijão. Pense mais, construa melhor o universo do seu livro. Eu, aliás, estou até agora tentando entender como a população dele deduziu que as vítimas olhavam pra alguma coisa antes de ter o surto psicótico. Essa explicação nunca chega. Assim é muito conveniente. E por que diabos os sobreviventes precisam tanto de papel? É a nova roda da era moderna? "Voltamos da expedição com muita coisa boa: mantimentos, ferramentas, papel"(???)

Tá serto
Meu desabafo está aí, mas você pode muito bem gostar de Caixa de pássaros. A nota no Skoob tá lá pra todo mundo ver: 4.2, de 5. Mas euzinha continuo pensando que é uma ideia excelente desperdiçada por alguém ainda muito imaturo como escritor.



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