22 julho 2016

Stranger things é amada pela nostalgia, não pela originalidade, e não há nada de errado nisso

postado por Manu Negri


Stranger things, nova série original da Netflix que estreou no dia 15 de julho, é a sensação do momento. Se você vive em outro planeta, explico: ambientados em 1983 em uma cidadezinha do Indiana, os episódios contam a história das crianças Mike, Dustin e Lucas, que saem em busca do amigo Will, desaparecido após entrar em contato com uma misteriosa (e asquerosa) criatura, enquanto o chefe de polícia monta uma investigação e descobre experiências secretas conduzidas pelo governo numa base militar. Tudo com muita, MUITA referência a filmes dos anos 1980, emocionando toda uma geração que viveu a infância nessa década e na seguinte.

A atmosfera de suspense e a ótima construção de personagens fazem a série funcionar muito bem. Ponto para os irmãos Duffer – produtores, criadores e diretores de Stranger things. Mas é de se confessar, mesmo com a facilidade de concluir a série numa só sentada, que há alguns furos, resoluções bem previsíveis e altos clichês envolvendo principalmente o núcleo adolescente da série. Sabe o que isso significa na hora da gente avaliar o todo? Nada. Que essas coisas se fodam, porque a gente quer ver, sentir e se apaixonar pela nostalgia vendida desde o primeiro trailer. E não tem nada errado nisso.

Tudo é muito evocativo em Stranger things. Desde o cartaz com visual bem oitentista, a tipografia em neon e a trilha sonora que remete totalmente aos trabalhos de John Carpenter, famoso pela direção e música do clássico de terror Halloween. A homenagem que a série faz ao período também abraça com força Steven Spielberg e filmes como Os goonies, Conta comigo e E.T – O extraterrestre.


Olha pra Drew Barrymore e pra personagem Holly, de Strangers. A roupa, as maria-chiquinhas. Pelo amor de Deus, passo mal. Depois de um certo tempo, não sei se comecei a enxergar referência em tudo quanto é lugar, mas em determinada cena que envolve as crianças fugindo de bicicleta dos veículos do governo, eu praticamente esperei que elas voassem com uma lua cheia no background. Em outro momento, em que uma das personagens assiste vidrada a um comercial da Coca-Cola, por mais que os contextos fossem totalmente diferentes, lembrei muito de quando o E.T fica bêbado sozinho em casa e zapeia a TV.

E isso aquiii? Tô precisando me acalmar? Tô.
Mas, definitivamente, o que mais gostei em Stranger things é o quanto ela me lembrou, em muitas passagens, de A Coisa – meu livro favorito, e que também virou filme, chamado aqui de IT – Uma obra-prima do medo. Aliás, citações a Stephen King também não faltaram por lá. A história do best-seller se passa na década de 1960 e 1980; tem como protagonista um grupo de crianças que se chamam de fracassados/perdedores e cuja força motora é a amizade, assim como na série; tem os valentões que praticam bullying; a perda da inocência; uma criatura mortalmente perigosa para combater e, pra completar, o ator que interpretou o personagem Mike está escalado para o remake de IT. STRANGER THINGS, VOCÊ ESTÁ FAZENDO UM JOGO COMIGO, GURRRL?

A interpretação das crianças é um show à parte: naturais, convincentes, carismáticas. Provavelmente a que mais vai chamar a atenção aqui é a Millie Bobby Brown, quem dá vida à personagem que chamam de Onze. É impressionante como ela consegue expressar tantos sentimentos só com o rosto, em especial os olhos, já que Onze tem poucas falas durante a série. Ela é o nosso E.T em Stranger Things: alguém que chega pra mudar a dinâmica das relações, quem faz os eventos girarem em torno de si e tem um papel muito importante na história toda. Achei os adultos menos destacáveis, com exceção de Winona Ryder (sdds!), que está ótima como Joyce Byers, mãe do garoto desaparecido.

A Netflix já confirmou a segunda temporada de Stranger things, mas eu sinceramente tenho até medo de estragarem o que está quase impecável. Só espero que os irmãos Duffer tenham previsto o desdobramento desde o começo e que os futuros novos episódios tragam ainda mais referências nostálgicas pra gente se deliciar.





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