18 fevereiro 2018

O tecnológico e o primitivo em HORIZON ZERO DAWN

postado por Manu Negri


O primeiro game de mundo aberto a gente não esquece.

Quando coloquei o disco de Horizon Zero Dawn pra rodar pela primeira vez, era agosto de 2017. Desde então, portanto, até concluir a história, foram 6 meses jogando naquele meu ritmo maravilhoso de 3 horas a cada 3 semanas. Eu não esperava por essa; afinal, estava acostumada com jogos em que eu chegava ao fim com umas 10 ou 15 horas, com uma história fechadinha, e em Horizon me deparei com um novo estilo de game em que há uma narrativa principal a seguir, mas várias outras secundárias opcionais e inúmeros cenários pra explorar. 

Exceto por To the moon, que é um game bem simples e curtinho (e do qual falarei aqui em breve), eu fiquei presa à Horizon até terminá-lo – grande motivo que não me fez colocar RPG e mundo aberto na minha estante de favoritos. Apesar disso, quanto mais próxima eu estava do final, mais pena eu tinha de concluir a jornada da personagem. O jogo é um primor de tão bem feito.

Exclusivo para Playstation 4, desenvolvido pela holandesa Guerrilla Games, publicado pela Sony e ganhador de vários prêmios desde seu lançamento há um ano – incluindo "Melhor Jogo Original", atribuído pelo painel de juízes da Game Critics Awards –, Horizon Zero Dawn segue a trajetória de Aloy, uma arqueira ruiva de dreads maravilhosa que vive em um mundo pós-apocalíptico dominado por criaturas robóticas. Exilada de sua tribo junto do homem que a criou, o que mais deseja na vida é saber a sua origem e quem foi sua mãe, mas acaba descobrindo uma teia grandiosa de mistérios seculares.

O primitivo e o tecnológico convivem aqui de forma fascinante, como duas realidades em choque. A civilização como conhecemos não existe mais. O que temos são comunidades que louvam a deuses, dormem em cabanas, comem o que caçam, vestem peles e peças de aço e precisam sobreviver em meio à hostilidade das máquinas, que habitam toda floresta e montanha. O que teria acontecido? Quem as construiu? Por que querem arrancar minha cabeça? O que foi que eu fiz? De onde vim? Qual braço da poltrona do cinema é o meu? Donald Trump é um reptiliano?


O visual é de cair o queixo (é provável que você queira gastar um tempo no modo fotografia do game). O detalhamento dos personagens, mesmo daqueles que aparecem por pouco tempo, impressiona: expressões faciais, aparência, vestes e as opções de armaduras pra Aloy usar ao longo do jogo. As vastas fauna e flora são riquíssimas em seu design. E as máquinas, claro, não ficam atrás: bati palmas pra originalidade na construção de suas estruturas, peculiaridades, funcionalidades e comportamentos. Coisas tão diferentes e que funcionam muito bem em conjunto, refletindo-se na própria maneira como controlamos Aloy.

Somos uma Aloy guerreira, mas que sabe muito bem usar um pequeno aparelho acoplado à sua orelha chamado Foco, que lhe dá informações sobre as máquinas, armas, recursos, pessoas, lugares, sinais, rastros e etc. além de funcionar como transmissor de mensagens, tipo um celular com um Google otimizado. Bem Black Mirror. O Foco nos auxilia a cumprir missões e a encontrar pistas para as revelações apresentadas durante o game, essenciais para dar impulso narrativo. Aloy invade máquinas antigas, encontra registros de áudio com testemunhos da civilização antiga, fragmentos de diários e objetos que seu povo nunca vira antes – peças de um quebra-cabeça que  montamos pouco a pouco.

É uma evolução incrível na nossa experiência enquanto jogador e no crescimento da Aloy, que foi uma personagem criada com muito esmero pela Guerrilla Games: ainda que badass, ela tem extrema empatia pelas pessoas que conhece, é doce, determinada, mas também cai em dilemas ha hora de tomar decisões importantes, contribuindo para a nossa identificação pessoal – a propósito, em vários momentos o jogo dá a opção para Aloy agir com a cabeça, com o coração ou com a raiva, moldando sua personalidade (mais para si do que para o jogo, pois, independente da resposta dela, não muda o desenrolar da narrativa). Sua figura multidimensional também é reforçada pelo belo trabalho de dublagem da Ashly Burch, de quem sou fã desde Life is Strange. A dublagem brasileira também não deixa nada a desejar; inclusive passei parte de Horizon jogando no idioma original e parte dublado, já que por várias vezes me perdia entre ler a legenda dos diálogos e agir (risos amarelos).

Falando em me perder, quando escrevi sobre The last of us, comentei que um dos grandes desafios do game pra mim foi precisar usar praticamente todos os botões do controle enquanto assoviava e chupava cana. Noob em neon continua escrito na minha testa. Em Horizon, é o mesma: no início, fiquei completamente embananada com tanta coisa pra administrar. É um negócio lindo de modeuso: a cada jogo eu aprendo mais e descubro que existem zilhões de coisas diferentes pra fazer. Além de interagir com vários outros seres humaninhos, existem as missões principais que são o fio condutor da história, as missões secundárias, o ganho de experiência que te permite ganhar mais força e habilidades, melhoria na montagem de armas, de trajes, poções e outros.

As batalhas são uma diversão à parte: apesar de envolver menos estratégia e mais munição, é sempre legal escolher uma moita pra se esconder e desmontar um robô na surdina, usar o Foco para detectar fraquezas e pontos fracos do seu corpo, montar armadilhas, saber usar as armas certas para determinado tipo de situação e de máquina e, claro, melhorar a mira (a minha é um terror).

Por fim, Horizon Zero Dawn é um combo maravilhoso que une jogabilidade bacana, ação, visual sensacional e uma história incrível. Sem dúvidas, daria um ótimo filme ou série.

Para quem concluí-lo, ainda há o DLC The Frozen Wilds, em que é possível interagir com máquinas e áreas inéditas, enfrentar novos perigos e descobrir outros segredos.





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