16 julho 2017

Investigando o Assassino do Origami em HEAVY RAIN

postado por Manu Negri


"Quão longe você iria por amor?"

Essa é a pergunta que Heavy Rain faz para você em seus materiais promocionais. 

Lançado em 2010 exclusivamente para PS3, esse jogo INCRÍVEL foi produzido pela Quantic Dream, distribuído pela Sony e dirigido e escrito pelo David Cage (mesmos responsáveis por Beyond: two souls, que já falei aqui). Presente na lista dos 25 melhores jogos para PS3 de todos os tempos, segundo a IGN, ele é um suspense estilo cinema noir com um enredo surpreendente e muito envolvente. Digno, de fato, de um ótimo filme policial.

Heavy rain interliga as vidas de quatro personagens que controlamos no desenrolar da história, cujo cerne são homicídios de crianças executados pelo chamado Assassino do Origami. Como o apelido sugere, com os corpos das vítimas são encontrados origamis, juntos de uma orquídea presa ao peito. Além disso, a chuva pesada do nome do game e a pergunta feita no início do texto têm tudo a ver com o modus operandi do sujeito misterioso: primeiro, que as mortes são sempre por afogamento na água da chuva e, segundo, são a consequência de uma série de tarefas escabrosas impostas aos pais das crianças como um teste para ver até onde eles aguentam ir para poupar a vida de quem mais deveriam proteger.


A gente vai descobrindo isso na pele à medida que controlamos Ethan Mars, o primeiro personagem com quem temos contato em Heavy Rain: deprimido pela morte de um dos seus dois filhos, ele é forçado a encarar sua culpa e seus medos quando o seu outro garoto, Shaun, é sequestrado pelo Assassino do Origami. A partir de então, ele tem cinco dias para conseguir salvá-lo com vida, se seguir corretamente o passo-a-passo fornecido pelo criminoso.

Além de não serem nada fáceis fisicamente, emocionalmente e moralmente falando, é claro que temos outros elementos pra deixar a jornada ainda mais tensa, como apagões de memória e perseguições policiais.

Aliás, outro personagem sob nosso comando é um agente do FBI que está trabalhando com a polícia para traçar um perfil psicológico do assassino: Norman Jayden. Graças a um equipamento fictício ultratecnológico acoplado a um óculos, conseguimos analisar traços e pistas da cena do crime e de cenários suspeitos com a rapidez e eficiência que uma equipe humana jamais teria. Os momentos em que Jayden precisou recorrer a esse recurso foram alguns dos que mais gostei, DIDETETIVONA que sou. No entanto, ainda que revolucionária, essa tecnologia causa dependência, abstinência e efeitos colaterais nocivos no usuário que se deixa envolver demais. E parece que Jayden é desse tipo. :B

Os outros personagens com quem jogamos são Madison Paige, uma fotógrafa com problemas de insônia que acaba interferindo na rotina de Ethan ao encontrá-lo debilitado em um motel, e Scott Shelby, um detetive particular contratado por algumas famílias vítimas do assassino para encontrar pistas sobre sua identidade. Todos eles bastante diferentes uns dos outro e igualmente cativantes.

Eu joguei a versão remasterizada para PS4, cujos gráficos estão ligeiramente melhores, em inglês com legendas em português de Portugal. Não há opção do nosso português nem aí e nem na dublagem, então, se quiser, vai ter que segurar a risadinha ao ouvir expressões como "gajo", "rapariga" e "fixe" nos diálogos e pensamentos dos personagens.


JOGABILIDADE


Assim como em Beyond: two souls, ele é um jogo de cinemática interativa. Porém, ao contrário do lançamento mais recente da Quantic Dream, achei Heavy rain mais desafiador. Sendo o terceiro jogo seguido que experimento com sistemas de escolhas, aqui novamente as decisões e ações que você executa ou deixa de executar impactam no desenrolar da história. E é preciso pensar rápido, ou o jogo toma a decisão sozinho por você. Seus personagens podem, inclusive, morrer em determinados momentos, apesar de não ter game over  o jogo simplesmente continua para seus finais em que um ou mais personagens estejam incapacitados de "comparecer". Além das cenas em que você explora o ambiente, pressiona L2 para ouvir os pensamentos do personagem – que, também, são uma forma de te ajudar a saber o que fazer em seguida –, realiza movimentos com o Dual Shock 3 (tipo Wii Remote) e conversa com outras pessoas, resultando em algumas dessas decisões impactantes, haverá momentos em que você não terá 100% de controle sobre o personagem. É aí que entra a característica do Quick Time Event: você terá de responder comandos rápidos apertando um botão ou uma sequência de botões para que a cena seja realizada. Lutas corporais, fugas e até uma corrida mucho louca na contramão se encaixam aí. Ou seja, se executar os comandos de forma errada, certamente você corre um risco de estar alterando a história.

Minha única ressalva aí é que os controles de movimentação são um pouco duros. Acho que gritei algumas vezes ANDAAA, MEU FILHO, É PRA DIREITA. Por outro lado, Heavy Rain recebeu uma atualização após o lançamento do PS Move, que possibilita realizar alguns movimentos diferentes dos do joystick padrão.  


Bom, é isso. O que dizer mais? Ah, tirem as crianças da sala, porque o jogo é +18 e tem, além de cenas de nudez, sexo (só se você quiser, não vamos forçar nada, rsrs). Seus progressos são salvos automaticamente e, se optar por, é possível refazer capítulos caso queira mudar o rumo de algumas coisas. Confesso que eu mesma refiz dois depois de cometer uma cagada imperdoável e, se não tivesse corrigido, acho que o final do meu jogo seria uma catástrofe.

Curiosidade final: algumas produtoras tentaram adaptar Heavy Rain para os cinemas, contando a história do Assassino do Origami ou mesmo mostrando os personagens após o final do jogo (mas, uéee, são quase 20 finais diferentes). No entanto, David Cage recusou todas as ofertas por um motivo simples (para ele): a fórmula de levar um game de sucesso para as telonas é totalmente falha.

Sei não, eu ia gostar de ver o game no cinema.





Making of:



Seleção dos atores:


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