28 novembro 2016

Tô na bad por um jogo de videogame

postado por Manu Negri


Vamos começar esclarecendo uma coisa: eu não sou gamer. Os últimos jogos que fizeram parte da minha vida foram The Sims e Super Mario no Wii, pra vocês terem uma ideia. Nem tag pra essa categoria eu tenho pra encaixar a resenha no blog (relevemos, ok?). Por isso que eu me espantei comigo mesma quando me peguei aceitando a sugestão do meu amigo João "Jot" para experimentar Life is strange, um jogo concebido pela francesa Dontnod e distribuído pela Square Enix. Feito para jogar no PlayStation 3, 4, Xbox, Mac (via App Store, por exemplo) ou... tcharam: Windows! Pelo PC, é preciso primeiro instalar o Steam, uma plataforma específica para rodar o jogo, e depois ele propriamente dito. O primeiro episódio é grátis, tipo degustação de pão de queijo recheado em supermercado, feito com a certeza de que a pessoa vai gostar e querer mais. Mas calma que, para jogar o restante dos 4 episódios, custa menos que uma refeição digna no Outback: R$ 36. E vale a pena.

Sim, Life is strange é um jogo episódico, em que cada um dura em média 2h30 para ser concluído. Sei que existem outros jogos na mesma linha, mas eu, n00bie, achei o máximo. E soa como uma série de TV mesmo, com direito a créditos iniciais, tomadas cinematográficas, música de introdução e "Anteriormente, em Life is strange" nos episódios seguintes, recapitulando os acontecimentos mais importantes. E, assim como em uma série cativante, o jogo conta com personagens muito interessantes e uma premissa ótima: em uma pequena cidade da costa norte-americana, chamada Arcadia Bay, vive Maxine "Max" Caulfield, estudante de fotografia da renomada instituição Blackwell. Ela tem 18 anos, é introvertida, geek, insegura, gosta de ouvir suas musiquinha em paz, tem poucos amigos, mas um grande coração. (Pra mim, já bateu aquela identificação inicial, o que foi essencial pro jogo começar funcionando muito bem logo no primeiro episódio.) Num belo dia qualquer, Max vai ao banheiro feminino do colégio e encontra uma borboleta atrás dos boxes. Enquanto ela arma a câmera para bater uma foto, ouve uma voz masculina passar pela porta e, de longe, inevitavelmente assiste a uma cena que vai mudar a vida dela e a de várias outras: o dono da voz, um garoto de família rica de Arcadia Bay, está brigando com uma menina sobre dinheiro e atira em seu abdômen, matando-a. É aí que, num gesto desesperado para tentar fazer alguma coisa a respeito, Max descobre que tem poderes de voltar no tempo.

E todo mundo sabe que mexer com o tempo só dá em uma coisa: merda. Todo mundo viu o que aconteceu com o Ashton Kutcher.


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25 novembro 2016

'A chegada' é um dos melhores filmes do ano

postado por Manu Negri


Vamos começar o texto com um fato talvez inquestionável atualmente: Denis Villeneuve é um homão da pirra.

Provavelmente no auge de sua carreira, o diretor canadense foi responsável por filmes ótimos como Os suspeitos e Sicario – Terra de ninguém e pelo sensacional-incrível-foderoso Incêndios (está na Netflix. Faça um favor a si mesmo e assista). E agora, com A chegada, acredito que Villeneuve definitivamente possui uma filmografia invejável. O cara só acerta.

Inspirado no conto História da sua vida, de Ted Chiang, o longa acompanha Louise Banks, uma renomada linguista que é recrutada pelo exército americano para que consiga estabelecer um diálogo com alienígenas, depois que 12 naves pousam em pontos distintos do planeta. Sendo comparado a rodo com Contato (de 1997, com Jodie Foster), A chegada ultrapassa o convencionalismo do gênero sci-fi ao nos entregar uma história densa, complexa, sensível, elegante e melancólica; uma história que aborda o encontro entre humanos e seres estrangeiros, repleta de humanidade em seus personagens e narrativa.

Por esses motivos, é um desses filmes que ficam com você depois que acaba. E acho que suspeitei disso já no primeiro minuto de projeção, literalmente, quando me emocionei pela primeira vez ao assistir a um conjunto de lembranças de Louise e sua filha, desde o nascimento até sua morte precoce pelo câncer. Sem pirotecnias, contando apenas com a trilha discreta de Jóhann Jóhannsson, porém capaz de naturalmente evocar sentimentos no espectador, as cenas são de uma veracidade incrível. E muito dessa veracidade vem da atuação tocante de Amy Adams como Louise: uma atuação "de dentro pra fora", cheia de nuances, silêncios, respirações pesadas de quem está prestes a encarar o desconhecido e olhares ora maravilhados, ora cheios de dor. Muitos deles direcionados pra um painel verde de chroma key, gente. É, acho que vem indicação a Oscar por aí.

A bela realização do trabalho de Amy também é muito bem-vinda porque é através de sua personagem que compreendemos não só cada etapa do que acontece na tela, mas o paralelo entre o trabalho dela e a vida em sociedade em si. Como Louise diz em determinado momento, "a linguagem é a base da civilização". Pra mim, A chegada é sobre linguagem; expressão; comunicação em vários sentidos. Linguagem como arma da violência e entendimento sobre o novo; como forma de compreender o mundo que nos cerca e a nossa própria existência, retratada não só através da fala, mas do gesto, das palavras escritas, de um desenho.

Em suma, A chegada soa como uma grande parábola sobre as interações humana, experiências e necessidade da comunicação como meio de interligá-las.   

E Deus sabe como gosto de uns paralelos em filmes.

Mas tem outro motivo por eu ter adorado tanto A chegada: a forma como o seu terceiro ato amarra todas as cenas que você julgou meio problemáticas e desconexas nos atos anteriores, ao mesmo tempo que traça OUTRO paralelo a da linha narrativa do filme e manipulação do seu tempo em relação à forma de se comunicar dos alienígenas. Paremos por aqui, porque spoilers seriam uma heresia.

A chegada não é expositivo como Interestelar a respeito de seus quebra-cabeças, mas consegue fazer o espectador pensar e chegar a conclusões por si só, o que é ótimo. Um dia depois de ter comparecido à sessão do filme e eu ainda estou pensando nas implicações do que assisti, juntando outras peças, pensando no seu final belo e agridoce. A TPM pode até ter influenciado no meu choro copioso durante os últimos 10 minutos da história, mas, de qualquer forma, vivenciei uma linda experiência dentro no cinema. E quando um filme consegue te proporcionar isso, é porque ele tem todos os méritos de ser chamado de sétima arte.




16 novembro 2016

Faltou sustança em 'Pequeno Segredo'

postado por Manu Negri


Você já tinha ouvido falar nos Schürmann? Se sempre costuma acompanhar os noticiários, então provavelmente sim. Mas, se não: eles são uma família de Florianópolis famosa por velejar ao redor do mundo, sendo, inclusive, a primeira família brasileira a circunavegar o mundo num veleiro. Lançaram livros. Deram entrevistas. E, agora, fazem filmes.

Pequeno segredo é baseado em um dos livros, escrito por Heloísa, a mãe, chamado Pequeno segredo – A lição de vida de Kat para a família Schürmann, que conta a história de como a filha caçula Kat conseguiu transformar sua rotina para melhor. Transformação que tem a ver com esse tal segredo e que, ao contrário de sinopses irresponsáveis por aí, não vou revelar, pois se trata do maior spoiler do filme. Claro que se você por um acaso já acompanhou esse aspecto da vida dos Schürmann, não será surpresa nenhuma.

Pequeno segredo estreou no Brasil neste mês após rolar uma polêmica com a comissão nacional que escolheu o filme para tentar uma vaga na corrida do Oscar 2017, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, em detrimento de Aquarius - um longa até então premiadíssimo no mundo inteiro e grande favorito para representar o Brasil (escrevi sobre ele aqui). Parte da crítica quase morreu de desgosto com a surpresa. Muitos apontam critérios políticos, e não cinematográficos, da escolha; afinal, a equipe de Aquarius protestou contra o impeachment da ex-presidenta Dilma no Festival de Cannes deste ano. Bom, se foi treta política, eu não sei (mas não duvido nem um tico). E agora que assisti aos dois, posso dizer que Aquarius e Pequeno segredo são longas bastante diferentes entre si, mas achei o primeiro de fato superior. Muito superior.

Se não me engano, essa mesma comissão nacional justificou a escolha colocando Pequeno segredo como um "filme de Oscar". O que eu entendi como sendo (como em grande parte das vezes) um filme corretinho, que não foge muito da zona de conforto e namora uns clichês; em suma, aquele padrão Hollywood que vemos entre os indicados ano após ano. O problema é que estamos falando de uma categoria do Oscar bem diferente das outras, que é o Melhor Filme Estrangeiro. Nela, o candidato não precisa necessariamente se enquadrar nesse padrão, vide os vencedores mais recentes, que fogem bem dessa linha narrativa comumente encontrada na indústria americana: Amour (França/Áustria), A grande beleza (Itália), Ida (Polônia) e Filho de Saul (Hungria).

De qualquer maneira, não consigo imaginar Pequeno segredo figurando sequer entre os escolhidos para concorrer à premiação. Não apenas porque tem todas essas características, mas porque simplesmente não é lá essas coisas.

 
É natural imaginar que David Schürmann, um dos quatro filhos da família, tivesse colocado todo o afeto por Kat, pela mãe e pelos fatos em si na direção desse filme. Logo no começo, o lettering avisa: o que você está prestes a assistir é baseado em fatos reais. E, quando pensamos nisso, concluímos o óbvio: é mesmo uma história comovente. Pra eles que a viveram, é mais que especial. Mas as boas intenções não foram suficientes para levar essa genuína comoção à tela. Por outro lado, Pequeno segredo é, no aspecto estético, um filme belíssimo: os planos abertos das locações externas e a fotografia são de tirar o fôlego em muitos momentos. Logo em seus primeiros minutos, por exemplo, somos apresentados a uma imensidão do mar e à também bela trilha sonora, apesar de intencionalmente um pouco invasiva, que "abre" a história de forma grandiosa e consequentemente aumenta a expectativa do espectador (com s e com x). Todavia, sem nunca cumprir muito bem a promessa.

(e espectador, no caso, sou eu. Muito prazer; o prazer é todo meu.)

Pequeno segredo, em sua narrativa não linear, conta duas histórias aparentemente independentes – o amor entre o neozelandês Robert e a paraense Jeanne, e a vida da pré-adolescente e enferma Kat – mas que vão aos poucos se entrelaçando em uma dinâmica ao mesmo tempo interessante e confusa, já que é um pouco difícil estabelecer o período histórico em que cada uma se passa. No entanto, antes de começar o terceiro ato do filme, o público já consegue estabelecer todas as conexões faltantes (inclusive com a primeira cena que, cronologicamente falando, é a última), não restando muito mais para digerirmos.    

E o tal do pequeno segredo, no fim das contas, me soou pouco impactante. Talvez porque, infelizmente, o marketing do filme e as sinopses irresponsáveis sobre as quais comentei no início do texto tenham estragado minha experiência. Não as leiam, crianças.

Do elenco, destaco a atuação de Julia Lemmertz, cuja personagem (Heloísa, a mãe) foi a responsável por me fazer sentir um aperto no peito que fosse. Marcello Antony não tem, a meu ver, nenhum momento expressivo em cena para eu poder dar pitaco. A irlandesa Fionnula Flanagan é uma boa atriz, mas acredito que não teve muito material pra trabalhar a sua Barbara, avó de Kat: a personagem beira o unidimensional, o que não é ajudado pelo seu arco pouco satisfatório. Já Mariana Goulart, quem vive Kat, é extremamente fraca. Não esboça qualquer expressão convincente, contribuindo enormemente para que eu não sentisse empatia o bastante pela situação delicada que vivia, seja em relação aos desafios normais da adolescência, seja pelas dificuldades impostas pelos misteriosos problemas de saúde da personagem. Aliás, principalmente nesse último ponto, Pequeno segredo peca por ignorar a máxima "mostre, não fale": ao invés de nos submergir em cenas que explorem de alguma forma o sofrimento e/ou superação de Kat, o filme prefere colocar isso em diálogos contextualizados de forma distante dessa realidade. Um deles, inclusive, entre Heloísa e Barbara, força tanto a barra pro público se emocionar que parece ter saído de um roteiro meia boca de novela.    

Faltou sutileza, faltou naturalidade, faltou mais confiança na inteligência do público em assimilar metáforas (como a da borboleta, que GRITA na tela "olha eu aqui de novo, só pra ter certeeeeeza de que vocês entenderam a parada"), faltou sustança. Porque, nos créditos finais, a sensação que ficou foi a de vazio e de que não tinham história suficiente pra ser contada.



07 novembro 2016

Escuridão total sem estrelas - Stephen King

postado por Manu Negri


"As histórias neste livro são chocantes. Você pode ter achado difícil lê-las em alguns momentos. Se foi o caso, posso lhe assegurar que também achei difícil escrever as histórias em alguns momentos."

Eu adoro os contos do Mestre King. Alguns deles, inclusive, são tão memoráveis que viraram filmes ótimos, como Um sonho de liberdade (baseado em Rita Hayworth e a redenção de Shawshank), Conta comigo (baseado em O corpo) e O nevoeiro (baseado no conto de mesmo nome). Os dois primeiros você encontra no livro Quatro estações.

Os contos de Escuridão total sem estrelas, na minha opinião, não batem esses três aí, mas são todos muito bons. O horror tão típico da carreira de King tem, em duas das histórias, envolvimento com acontecimentos sobrenaturais, mas está predominantemente relacionado com pessoas comuns, como a gente. Do que as pessoas são capazes? Quais são os seus limites? Será que conhecemos tão bem uma pessoa a ponto de "colocarmos a mão no fogo" por ela? Não parece possível que o rapaz que ajuda idosos a atravessarem a rua seja, secretamente, um serial killer?

Parece.

O primeiro conto, 1922, coloca uma família de agricultores de Hemingford home em uma tragédia bizarra. Wilfred e Arlette James são donos de 100 acres, e começam a viver em discórdia porque a esposa está decidida a vendê-los para uma companhia. À medida que os dias passam, Wilfred percebe que só há uma solução para conseguir manter as terras: matar Arlette. Para isso, ele envenena o único filho, Henry, a fim de ter um cúmplice e ajudante. E Wilfred, apesar de cometer um crime horrível, é um cara completamente comum que acreditava que esse pecado seria compensado pelo futuro que ele e o filho teriam em sua próspera fazenda. No entanto, a angústia e mesmo culpa que os assolaram nos dias seguintes não foram páreas para a sucessão de consequências terríveis de seus atos.

O conto é contado (rs) do ponto de vista de Wilfred e em forma de confissão, muitos anos depois de 1922. E é, pra mim, a melhor história do livro. Não só porque King batizou uma personagem de Rhoda Penmark, haha.  
"Os ratos a encontraram... e daí? Eles não encontram todos nós no fim? Ratos e vermes? Mais cedo ou mais tarde, até mesmo o mais sólido dos caixões acaba se rompendo e deixando a vida entrar para se alimentar da morte."

Notícia boa: 1922 está sendo adaptado PELA NETFLIIIIIIXXX, com direção de Zak Hilditch e Thomas Jane e Molly Parker no elenco. Mal.posso.esperar. 

Em Gigante no volante, Tess é uma escritora de suspense leve que vem suplementando sua renda por anos, servindo como oradora em alguns eventos. Em um compromisso de última hora, Tess vai fazer uma palestra na cidade de Chicopee. No caminho de volta para casa, ao pegar um atalho, o pneu de seu carro estoura e ela é ajudada por um cara aparentemente gente boa, mas que acaba por estuprá-la e deixá-la abandonada para morrer. Tess consegue voltar para casa e, enquanto seu medo e desespero dão lugar à raiva, ela se vê cada vez mais disposta a botar em prática um plano de vingança.

Segundo conto que mais gostei. O horror está realmente presente em pessoas de quem nunca desconfiaríamos. Especificamente nos casos de estupros, isso é uma estatística assustadora, já que na maioria dos casos os estupros são cometidos por homens próximos de nós, e não por "monstros psicopatas" à espreita num arbusto. Pessoas comuns. E não porque gostem demais de sexo, já que estupros não têm nada a ver com sexo, e sim porque gostam de ter poder sobre o corpo feminino. Apesar das circunstâncias da vida do estuprador soarem não tão comuns assim, Stephen King posiciona essa questão muito bem no conto, principalmente em um diálogo entre Tess e uma outra personagem feminina. 
"Mulheres em todos os cantos do mundo estão sendo estupradas enquanto falamos. Meninas também. Algumas que, sem dúvida, possuem bichinhos de pelúcia preferidos. Algumas são mortas, outras sobrevivem. Das que sobrevivem, quantas você acha que denunciam o que aconteceu?"

O terceiro conto, e o mais curto, se chama Extensão justa e se passa em Derry. Ah, saudosa Derry, terra do Clube dos Perdedores e do palhaço Pennywise. Inclusive até suspeitei que ele fosse o vilão aqui também, mas King no posfácio tirou meu cavalinho da chuva ao mencionar o falecido Pennywise. Murchei como uma balão de festa esquecido no teto há 3 dias, mas tudo bem.

Anyway, Extensão justa conta a historinha de Dave Streeter, um cara que sofre de câncer em estágio terminal e, portanto, sabe que tem pouco tempo. Em um dia comum passeando fora de casa, ele resolve dar trela para um vendedor de quinquilharias na rua, que lhe oferece um "prolongamento de vida". Como tudo nessa vida tem um preço, esse negócio não foge à regra. Será que Streeter vai aceitar a proposta de poder viver mais, em troca de prejudicar a vida de um outro alguém? Esse conto vai mostrar pra você que o ser humano é um demoniozinho ambicioso. Como dizem mesmo? Dê o poder ao homem, e descobrirá quem ele realmente é.

(Curiosidade pra quem leu A Coisa: a vizinha de Streeter é a sra. Denbrough, mãe de Bill Gago.)
"Você precisa transferir esse peso. Em outras palavras, você tem que passar o mal adiante, se o mal for retirado de você."

Por fim, o último conto: Um bom casamento. Darcy e Bob Anderson são um casal feliz e em harmonia, juntos há 27 anos. Num belo dia, enquanto Bob viajava à trabalho, Darcy encontra acidentalmente uma caixa misteriosa na garagem de casa. O que ela descobre lá dentro vai mudar completamente a percepção que ela tinha sobre sua própria vida a dois; e a reflexão sobre o que ela precisa fazer a seguir vai influenciar não só seu casamento, mas a vida de seus filhos e a sua própria.

No começo deste post eu perguntei se é possível conhecer tão bem uma pessoa a ponto de por a mão no fogo por ela. Bom, talvez a gente pense na questão um pouquinho. Darcy, definitivamente, não: se antes ela tinha certeza de quem era Bob, após a caixa não fazia mais tanta ideia assim. Uma história muito bem amarrada em que vemos Stephen King brincar genialmente com o cotidiano e nossos hábitos, de forma que a gente consiga se projetar muito rápido nos personagens e no contexto.

(Outra curiosidade pra quem leu A Coisa: Bob é guia de escoteiros, e um de seus pupilos se chama Stan. Não creio que seja só um nome qualquer que King tirou da cabeça. :P)   
"Sei como vocês estão se sentindo mal, mas o sol ainda vai nascer amanhã. E quando isso acontecer, vocês vão se sentir melhor."
Em 2013, Peter Askin adaptou o conto para o cinema, chamado A good marriage. Já tá na minha lista pra conferir, claro.


Por fim, um elogio à edição da Suma de Letras: ficou chou o trabalho, com a capa, título e bordas das páginas todas pretas. Um livro de escuridão total. Parabéns aos envolvidos.


"...acredito que a maioria das pessoas é essencialmente boa. Sei que eu sou. 
É quanto a você que não tenho tanta certeza."


26 outubro 2016

7 motivos para assistir Westworld, a nova série da HBO

postado por Manu Negri


Se você num tá nem sabendo de nada, deixa eu apresentar: Westworld é a nova série que estreou na HBO no dia 2 de outubro, inspirada no filme de mesmo nome lançado em 1973 e dirigido por Michael Crichton. Ainda estamos no episódio 4 dos 10 previstos para essa primeira temporada, mas é certo que a série já conseguiu fisgar a atenção de uma boa fatia de espectadores, especialmente nessa época de hiatus de outras séries. Dizem, inclusive, que Westworld chegou para ocupar o vazio que Game of Thrones deixará em nossos corações, agora que seu fim se aproxima. Se é verdade, eu não sei, mas eu já trouxe alguns bons motivos pra você começar a acompanhar a história:


1. Essa é a mistura do Velho Oeste com Sci-fi  


Tem que ter charme pra dançar boniiiiito! (não rima, foda-se)

Eu confesso que nem Velho Oeste e nem Sci-fi são gêneros que me atraem. Mas em Westworld essa junção parece beeem promissora, ainda mais com esse ingrediente que eu amo tanto chamado mistério. Não tem nada de viagem no tempo e nem extraterrestres invadindo saloons; a história é a seguinte: Westworld é um PARQUE DE DIVERSÕES temático ultramoderno do futuro e ambientado no Velho Oeste (arrá), que recebe "jogadores" milionários de todos os cantos para literalmente viver o personagem que quiserem nesse mundo particular. Por 40 mil dólares por dia, você escolhe sua roupa, sua arma, seu chapéu e vive aventuras junto de muitos outros personagens que estão em Westworld especialmente para servi-lo: bandidos, prostitutas, donzelas, mocinhos, padres, bêbados, caçadores de recompensa e por aí vai. O detalhe é que esses personagens do jogo, apesar de serem exatamente iguais a humanos na aparência e no comportamento, na verdade são androides fodasticamente construídos para viver roteiros próprios dentro de seus universos. Jogadores humanos não podem morrer em Westworld, mas podem "matar" os androides; eles nunca se lembram das várias vidas que vivem justamente por não terem consciência e nem lembranças, sendo limpos, reestruturados e analisados diariamente.

Mas algo nos diz que isso está para mudar.

Esse é o grande lance de Westworld. À medida que passamos a sentir empatia pelos androides e algum nível de identificação – afinal, eles choram, sentem dor, sangram e têm suas próprias histórias como se fossem um de nós –, eles começam a ter sinais de que estão se recordando de outros dias que viveram e morreram, lutaram, conversaram e se envolveram com outros androides e jogadores. Mais: estão começando, de algum modo, a desenvolver consciência. Quais serão as consequências disso para os criadores do parque e para os jogadores que estão lá?