22 agosto 2018

OUTSIDER, o mais novo romance policial (será?) de Stephen King

postado por Manu Negri


Tirando uma cena razoavelmente baranga de Um amor para recordar, em que o mocinho do filme realiza o sonho da mocinha de estar em dois lugares ao mesmo tempo simplesmente se posicionando na divisa entre duas cidades, físicos continuam debatendo a possibilidade desse princípio. Em Outsider, você provavelmente vai se juntar a eles.

Concluído em maio deste ano pelo autor que mais dá as caras neste blog e na minha estante, Stephen King, o livro alcançou o primeiro lugar na lista de mais vendidos da Publishers Weekly, além de passar semanas entre os bestsellers do New York Times. No Brasil, traduzido e lançado rapidamente pouco tempo depois, ele entrou no ranking da Veja, da Folha e do PublishNews. Além de ter nascido campeão de vendas, Outsider já teve os direitos comprados para virar uma série de 10 episódios, roteirizado por Richard Price, responsável pelo sucesso The wire, da HBO. Tá bom ou quer mais, poc?

Fiz meu pedido na pré-venda, como boa escrava do King que sou, e em poucos dias recebi meu cheiroso exemplar com uma capa lindérrima, baixo relevo, título original e tudo (ótimo pra fingir no ônibus que está lendo livro em inglês). Logo nas primeiras páginas, fui conquistada pela costurinha de narrativa que o King faz, se assemelhando um pouco com o que acontece em Carrie, a estranha, que é intercalar acontecimentos do presente com transição de depoimentos à polícia de Flint City, a cidade fictícia da trama. Aos poucos, descobrimos que lá aconteceu o assassinato horrendo de uma criança, morta a dentadas e estuprada com um galho de árvore, cujo principal suspeito é o cidadão exemplar Terry Maitland, professor da liga infantil de baseball local (inclusive, da vítima). As digitais incontestavelmente compatíveis com Terry encontradas no local e a natureza abominável do crime levaram os policiais a prenderem o professor diante de mais de mil pessoas, incluindo a esposa e as filhas, gerando uma comoção na população. No entanto, tão irrefutável quanto as provas físicas de sua culpabilidade, um álibi se revela na história: no dia e horário do crime, Terry Maitland estava em outra cidade, junto de outras pessoas, em uma conferência literária.


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23 julho 2018

O BAZAR DOS SONHOS RUINS, livro de contos de Stephen King

postado por Manu Negri


Alô, alô, Terezinha, voltando à TAG de Livros com mais uma obra dele, este senhor cheiroso, rico, amante do Maine, dono de um maxilar de personalidade e que já adaptou 80 de seus 70 livros publicados.

Olar
Lançada neste ano pela Suma de Letras, O bazar dos sonhos ruins é a mais nova coletânea de contos e poemas de Stephen King que eu achei que iria me atropelar de frente e depois de ré, mas no máximo deu uma buzinada e eu acenei sorrindo.

A capa do livro é uma belezura só, talvez uma das mais bonitas das obras dele lançadas pela editora, mas, pra mim, trouxe vários dos contos mais fracos do mestre. O que comentar dos poemas, que preferi arrancar meus olhos com uma lixa de unha do que terminá-los? Quer dizer, depois que você lê um Quatro Estações da vida, que contém O corpo (adaptado para Conta comigo) e Rita Hayworth e a redenção de Shawshank (adaptado para Um sonho de liberdade), você fica com as expectativas um cadim elevadas, sabe como é.


08 julho 2018

4 documentários de crimes que vão te deixar puto da vida

postado por Manu Negri


Antes de começarmos, um aviso do bem: todos esses documentário estão na Netflix. AEAEAEAE!


A plataforma pode até estar deixando a desejar com seus filmes originais, mas no quesito Documentários a gente pode nadar de braçada que o catálogo tá cheio de coisa boa. Eu amo o gênero, especialmente obras que tratam de crimes, processos legais, ~mistérios e por aí vai. E, entre essas histórias incríveis de crimes, depois de contabilizar um punhado na minha listinha de assistidos, achei bem curioso que várias delas de fato são de deixar o espectador puto da vida ao mostrar erros grotescos, conspirações do sistema penal e julgamentos midiáticos que acabam prejudicando a vida de inocentes ou inocentando criminosos. Já falei de alguns deles no blog, como os casos retratados em Making a murderer e Os três de West Memphis (também pretendo escrever sobre O.J Simpson em breve), e agora trago novos quatro documentários na mesma vibe:


26 junho 2018

Duas horas emocionantes na pele de CAPTAIN SPIRIT

postado por Manu Negri


Em maio do ano passado, a equipe criadora de Life is Strange divulgou um vídeo comemorando as 3 milhões de cópias vendidas, aproveitando para anunciar que o game, pela glória de Kate Marsh, ganharia uma segunda temporada, cujo desenvolvimento começou logo após o lançamento da mídia física do jogo original. Meses depois, uma nota discreta dizia que teríamos novidades sobre isso logo; motivo suficiente para Strangers (prazer) do mundo todo ficarem de orelhinhas em pé com a Electronic Entertainment Expo, carinhosamente (rs) conhecida como E3. Pra quem não sabe, o evento é o maior de games do mundo, e, pela primeira vez em três anos, a Square Enix, distribuidora de Life is Strange, apresentaria um painel com novidades. Com isso, os rumores de um teaser, trailer ou qualquer migalha sobre o jogo novo eram bem fortes, vinhado. 

Quem costuma acompanhar tudo o que sai na mídia a respeito dele sabe que a temporada nova não será com as mesmas personagens. E, para a nossa surpresa, pouco antes da E3 tivemos uma notícia, sim, mas com o anúncio de uma demo de Life is Strange 2 chamada The awesome adventures of Captain Spirit. Segundo Michel Koch, co-diretor e diretor de arte de Life is Strange na desenvolvedora DONTNOD, esse minigame é um elo entre o primeiro jogo e o segundo e, à primeira vista, gira em torno de uma manhã de um sábado qualquer na vida de Chris, um garoto de 10 anos que tem imaginação de sobra pra transformar tudo à sua volta em mundos inteiros pra explorar. Koch disse que é um convite para sairmos da nossa rotina, que, muitas vezes, esquece como é a sensibilidade de uma criança, a fim de voltarmos um pouco à infância e sermos acertados em cheio pela nostalgia.

Bom, ele estava certo. Funcionou.


23 junho 2018

HEREDITÁRIO: 0% jumpscares, 99% perturbador, 1% vagabundo

postado por Manu Negri


Comentários sem spoilers


Eu quero começar este texto mais uma vez enaltecendo o estúdio A24, responsável por distribuir os excelentes Moonlight, Lady Bird, A ghost story, Ex-Machina, Projeto Flórida e O lagosta, entre outros, também conhecido por dar liberdade criativa aos autores de seus projetos. Ultimamente, este nome tem ficado forte por lançar alguns filmes de terror que fogem das produções de sustos baratos, como Ao cair da noite e A bruxa. Hereditário é mais um, graças aos deuses, que chegou para engrossar o grupo.

Esses "novos filmes de terror", como eu os encaixava até pouco tempo, na verdade não estão inventando a roda, e sim trazendo-a de volta para o cinema. É um retorno ao horror clássico muito feito há várias décadas, como O exorcista e O bebê de Rosemary, afirmando que a sétima arte vive momentos cíclicos. Não à toa, Hereditário vem sendo descrito, desde sua aparição no Festival de Sundance, como o "novo O Exorcista"; não em termos de trama, mas em termos de narrativa, com a faca, o queijo e a goiabada na mão pra se tornar um novo clássico do gênero neste século.

A história do filme não é originalzona. Mas a forma como ela é contada é a grande sacada. Acho que Hereditário é um bom exemplo de como a experiência do espectador ao longo da projeção é tão ou mais importante que a conclusão dela. Desde o início existe o prenúncio de uma tragédia, como uma semente plantada na nossa viagem sensorial que cresce e floresce a cada cena e detalhes nem um pouco apresentados ao acaso, nos provocando a montar um quebra-cabeças.