23 março 2017

A Fera, a nostalgia e a melhor princesa da Disney

postado por Manu Negri


Finalmente assisti à A Bela e a Fera. Foi um longo trajeto de uma semana frustrada entre sessões lotadas e/ou caras, até que cedi, em nome da minha sanidade emocional, a pagar por um ingresso um valor que apenas concordo quando se trata de pratos de comida elaborados.

Eu entrei na sala sabendo que nada poderia ser superior à animação dos anos 1990, que é, junto de O Rei Leão, minha animação favorita da Disney. Sabia, também, que essa live action era 95% igual à história da obra original. Muita gente criticou a ausência de originalidade, a "necessidade" de produzir o filme diante desse cenário, e eu só consigo pensar: tá tudo bem, gente. A proposta, creio eu, sempre foi recriar A Bela e a Fera de sempre, só que com seres humaninhos. Por isso, decepção passou longe de mim.

Como obra, achei o longa bonzinho. Mas, se considerarmos o grande e principal fator nostalgia, me acertou em cheio, bem na cara. E era isso o que eu estava procurando. Quando o castelinho da Disney e a rosa apareceram na tela, agarrei os braços da poltrona do cinema. Quando os habitantes da vila começaram com seus Bonjour, a boquinha tremeu. FEELINGS, minha gente, FEELINGS. Não sei nem explicar como A Bela e a Fera é capaz de me tocar de diversas maneiras, mas a principal delas diz respeito à mensagem de amar e aceitar alguém pelo que ela é, muito além do que as aparências mostram (inclusive falei disso no meu texto sobre o livro Extraordinário). E a Bela, em particular, me conquistou desde a primeira vez em que assisti à animação: gentil, altruísta, corajosa e muito à frente do seu tempo, era o tipo de personagem feminina que fugia dos estereótipos dos contos de fada da época e, por isso tudo, continua sendo a minha princesa favorita. Chupa, Frôze.

Gostei de Emma Watson no papel. Emma é aquele tipo de atriz que, até o momento, interpreta todas as suas personagens de maneira semelhante, mas ai se falarem mal dela perto de mim. Há coisas que o coração não explica, e o nome dela já tá gravado no meu desde a saga Harry Potter ¯\_(ツ)_/¯. De qualquer forma, acho que faltou um pouco de carisma como Bela. Imagino que tenha sido difícil ficar sorrindo pra paredes verdes de chroma key onde candelabros, relógios e pratos deveriam estar dançando, mas Emma Watson poderia ter aprendido melhor as manhas durante sei lá quantos anos de Hermione rodeada por CGI em Hogwarts.

Falando em CGI, achei tudo incrível, principalmente a Fera. Suas feições super-humanizadas, sua postura e principalmente seus olhos conferiram uma camada de vulnerabilidade muito bem-vinda para o personagem. Quis abraçá-lo e levar pra passear de coleira várias vezes. Acho que, em relação a ele, os efeitos ficaram um pouco prejudicados apenas na cena da dança com a Bela. Mas porra, foda-se, porque QUE CENA, MORES. Me urinei toda.



Ela serviu pra me dizer três coisas: a) que a trilha sonora é foda; b) que eu #shipomuito e que c) só sai lágrimas do meu olho esquerdo.

Ah, sobre o 3D: detesto filmes assim porque são o dobro do preço do ingresso e geralmente não acrescentam nada. Mas, além de ser em 3D, assisti à A Bela e a Fera em IMAX pela primeira vez e confesso que a experiência foi interessante. Achei que as poltronas chacoalhavam ou coisa assim, só que o diferencial está na tela giganteeesca e na imagem e som mais definidos. A princípio nada chamou minha atenção até que, na cena em que a Fera joga a bola de neve na Bela, aquela porra veio em direção à câmera e eu desviei dela, sentada, IGUAL UMA OTÁRIA. Parabéns.

Gostei que acrescentaram alguns elementos novos à narrativa, assim como números musicais (os 5% de originalidade do filme). O trabalho de dublagem dos objetos encantados do castelo estão ótimos, com destaque para o Ewan McGregor como Lumière, seu sotaque francês e o tom debochado e divertido que deu para o personagem. Outro alívio cômico ficou por conta do LeFou interpretado pelo Josh Gad; ele não precisava abrir a boca pra falar nada que eu já estava rindo. Inclusive estou me perguntando qual era exatamente a tal cena gay ~polêmica, já que cada aparição do personagem era uma chuva de purpurina.

Minhas maiores ressalvas ficam por conta da direção de Bill Condon, que não soube trabalhar ritmo, montagem (há muitos cortes desordenados) e algumas cenas de ação, especialmente a perseguição dos lobos ao Maurice e à Bela e a volta desta à vila para salvar o pai.

De qualquer forma, já estou querendo voltar ao cinema - dessa vez para assistir à versão dublada e poder cantar junto com os personagens, como pede minha idade mental.







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