31 agosto 2017

LIFE IS STRANGE - BEFORE THE STORM: episódio #1

postado por Manu Negri


Seja lá quem for você, leitor, vai me ouvir ler dizendo as mesmas coisas caso tenha acompanhado meus textos sobre os games que andei jogando.

Life is strange foi o que me abriu as portas para esse vasto e maravilhoso mundo de jogos e foi o pontapé para a inauguração da categoria GAMES do blog, que, recentemente, tem sido a responsável pela maior movimentação por aqui. Life is strange é, também, a experiência mais envolvente que tive com um jogo até então, de uma forma que não consigo explicar muito bem a não ser na linguagem do amor. Por isso, não é difícil supor como fiquei com o anúncio do prelúdio Life is strange - Before the storm feito há uns meses.  


O hype estava altíssimo, apesar de eu estar em conflito com algumas coisas. Primeiro, que o jogo foi desenvolvido totalmente por outro estúdio, a Deck Nine. Segundo, que a história trata do início do relacionamento entre a Chloe e a Rachel, uma personagem que era o grande mistério de Life is strange original, e eu não sei (ou sabia) se estou (ou estava) disposta a conhecê-la melhor. Esse era o charme dela. Terceiro, que o Before the storm é em sistema que escolhas que impactam o desenrolar da trama, como o seu antecessor, mas com a diferença que neste nós sabemos o destino das personagens dali a três anos.

Portanto, mesmo empolgadíssima, eu estava com um sensato pé atrás. Ainda é cedo para julgar o prelúdio, considerando que seu terceiro e último episódio ainda será lançado no fim do ano (se o universo conspirar a favor). Mas já posso dizer que, pela balanço geral da estreia, estou positivamente surpresa. A Deck Nine fez um ótimo trabalho. 



VAMOS COMEÇAR PELA PARTE BOA?

(ou nem tão boa assim)

Ao contrário do jogo original, em que um dos primeiros momentos foi capaz de delimitar o tom da história e me deixar encantada - quando Max põe os fones de ouvido para enfrentar o corredor do colégio -, as cenas iniciais de Before the storm são, de longe, as mais fracas do episódio. Vemos Chloe tentando entrar em uma casinha no meio do nada (rs), onde está tocando uma banda da qual ela é fã. Lá, você tem a escolha de fazê-la roubar dinheiro e comprar maconha do Frank (THOSE ARE MY FUCKING BEANS) para depois se meter em outras encrencas e ser salva pela Rachel, configurando o primeiro contato entre elas. Na manhã seguinte, Chloe tem alguns conflitos previsíveis com a mãe e com David, quem ela obviamente odeia, e depois parte pra Blackwell, de onde é aluna naquele período. A partir daí as coisas começam a engrenar, e determinadas situações acontecem, transformando Chloe e Rachel de estranhas em amigas.

Bom, eu entendo a preocupação: "Before the storm se passa em três dias". Em três dias é possível mostrar ao jogador o porquê da Chloe considerar a Rachel seu anjo? Eu sinceramente não sei como a história irá se desenrolar com as nossas escolhas, e nem sei se é essa a intenção, mas, a princípio, achei que a conexão entre ambas estava se desenvolvendo rápido demais. A própria Chloe estranha o súbito interesse da garota mais popular do colégio por ela, a "esquisitona solitária".

No entanto, à medida que o episódio se desenrolava, meu incômodo se dissipou até bastante. Chloe pode muito bem não ter dado a si espaço suficiente para fazer amizades depois da ida da Max, ou não teve disposição de trocar ideia com alguém com quem descobriria afinidades. Como aconteceu com a Rachel - e de uma forma agradavelmente natural, na minha opinião, apesar da pressa. Life is strange trata de relações humanas, e em Before the storm vemos duas adolescentes quebradas por dentro, cada uma a sua maneira, que veem uma na outra a oportunidade de passarem por seus perrengues particulares de uma forma menos dura.

  
Os desenvolvedores afirmaram que não haverá superpoderes. Ufa, né? Sem mistérios para serem descobertos e sem as viagens no tempo que tornaram Life is strange emocionalmente poderoso, Before the storm deve focar em dramas familiares, nos dando a oportunidade de ver um outro lado da Chloe: o lado vulnerável e frágil. No jogo original, a conhecemos como uma personagem amarga e raivosa, e embora fosse fácil compreender os motivos disso, não é fácil simpatizar com ela. Já neste primeiro episódio, tomamos suas dores e sofremos junto. Foram vários os momentos em que fiquei emocionada, e não foi por conta somente do saudosismo.

Claro, para quem está ávido por isso, há a chance de saber mais da Rachel. Uma coisa que achei interessante foi a colocarem como estudante de teatro. No caso, sua turma está ensaiando a peça A tempestade, de Shakespeare, que tem tudo a ver com o prelúdio, já que os nomes dos episódios fazem referência ao texto: Awake, Brand new world e Hell is empty. Ora, se considerarmos que parte da imagem que a personagem passava no primeiro jogo era de alguém manipulador, uma Rachel atriz cai bem. Por isso, me faço a mesma pergunta que Chloe fez a ela: seria Rachel imaginativa demais ou cheia de caô?

Por enquanto, estou achando ela bem DA HORA, pra infelicidade do meu coração pricefielder. Aguardemos.

Fomos apresentados a novos personagens também, como o segurança gente boa Skip - que provavelmente vai ter a vaga ocupada pelo David no futuro - e os nerds Mickey e Steph, que, juntos com Chloe, protagonizaram uma das cenas mais legais do episódio ao jogarem uma partida de RPG. E, além disso, revisitamos velhos conhecidos, como o diretor Wells, a professora de química, Justin, Nathan e Victoria.

Quantos likes essa princesa merece?

NOVIDADES NA JOGABILIDADE

Os comandos continuam os mesmos para a maioria das coisas: acessar o diário (que, agora, são cartas direcionadas à Max), andar, fazer escolhas, interagir com objetos e pessoas, ler SMS, etc.

Se para conquistar os troféus de Life is strange era preciso tirar fotos com a câmera da Max, aqui eles são colecionados com as pichações da Chloe por onde ela passa. A mesma caneta que usa para fazer isso, ela rabisca coisas na palma da mão, substituindo os post-its destinados a guiar o jogador em relação ao próximo passo (para visualizar, é preciso segurar L2 - no caso do Playstation).

Mas a maior novidade está na "habilidade" da Chloe em convencer pessoas a fazer o que ela quer através do "Desafio do bate-boca", que consiste basicamente em escolher as frases certas pra ela falar, em relação às do "oponente". Eu não queria dizer isso, mas, resumindo, ela precisa LACRAR. É preciso prestar atenção no que o outro fala antes e, tão importante quanto, no tempo - existe um timer determinado para selecionar a resposta, que pode ser extremamente curto em alguns momentos. Nem preciso dizer que a conclusão do desafio impacta na história, né?


INCONSISTÊNCIAS, CONVENIÊNCIAS E O TAL DO FAN SERVICE

Life is Strange - Before the storm nasceu do clamor do povo assim que o game original alcançou um estrondoso sucesso. E aí, é lógico que a Square Enix não ia perder oportunidade de fazer dinheiro em cima da vontade de muitos fãs em saber como Chloe e Rachel se conheceram.

O fato de outro estúdio que não a DONTNOD ser o responsável por esse prelúdio já é motivo de medo por parte do público, já que há risco de informações oficiais da história se perderem. Escrevi, no texto anterior a esse sobre o jogo, que rolou até um bafafá sobre o uso da mão dominante da Chloe nos dois títulos. É esse o nível de exigência. E nem tiro a razão.

Se a Deck Nine não quer que seu jogo seja uma fanfic do original, e sim um prelúdio oficial, ela sabe que tem uma puta responsabilidade nas mãos. O problema é que já neste primeiro episódio há pontos questionáveis em relação ao que é oficial, ao fan service e à mera conveniência.

Podemos definir como fan service a inclusão de elementos numa história exclusivamente pra agradar a audiência, mesmo que fira coisas como caracterização de personagem, cronologia, coerência do roteiro, etc. Não vejo problema em Before the storm ser um fan service em si, mas desde que mantenha seus elementos ligados perfeitamente com o primeiro Life is strange.

O negócio é que há informações básicas distorcidas, que a Deck Nine provavelmente sabe que estão assim, e decidiu manter. O motivo eu não sei. O maior exemplo no momento é o fato de praticamente todos os alunos que conhecemos em Life is Strange estarem na turma da Chloe de 16 anos; Warren, Alyssa, Victoria, Dana, Juliet, e por aí vai. Segura esse furo, monamú! Se no jogo original Warren tinha 16 anos, em Before the storm ele deveria ter 13 ou 14. Ou seja, fora de Blackwell, numa creche ou numa escola apanhando e sendo friendzoner de outra pessoa. Já Victoria disse, em Life is strange, que só se matriculou na Blackwell quando soube que o mr. Jefferson seria professor, sendo que o personagem não estará em Before the storm! No segundo episódio, quando fala da Teoria do Caos, Max afirma que Chloe nunca gostou de ciências quando eram mais novas; no entanto, lá está uma foto no quarto, mostrando que ficou em primeiro lugar numa feira de ciências. Outra coisa: depois que Chloe resgata Max do estacionamento em sua caminhonete, ela afirma que nunca recebeu uma mensagem da melhor amiga nos anos em que estiveram separadas. Mas, ao fuçar o celular da Chloe em Before the storm, vemos uma troca esporádica de mensagens.  

Fora isso, o prelúdio traz diversas referências ao primeiro game, e que eu penso que deve trazer mesmo: são fotos, manchas no carpete, menções à Max (AAAA), objetos de infância, roupas familiares, cartazes, e até a futura caminhonete da Chloe, largada no ferro velho. É o que queremos ver, sim, mas acho completamente bem-vindos aqui.

Cuidado que ela moide
Acredito que ainda sairão atualizações do jogo que precisam consertar coisas como ajuste de tela e pequenos bugs, mas se tem algo nessa história toda que tá difícil de engolir, acima de qualquer outra cagada, é a origem da palavra Hella no vocabulário da Chloe. Esse detalhe se tornou algo tão forte da identidade dela, que é uma BLASFÊMIA terem transferido parte disso pra Rachel. Não dá, bicho. Deus tá vendo, tá?

*respira*


FINALIZANDO!

Life is strange - Before the storm tem um visual totalmente atrelado ao do meu game do coração, com gráficos um pouco melhores, especialmente nas expressões faciais e movimento de boca x dublagem. Foi uma delícia voltar para Arcadia Bay e para a Blackwell com essa sensação de familiaridade. Ah, e falando nisso, a despeito de toda a gritaria e dedo no cu dos fãs sobre a Ashly Burch não estar dublando a Chloe, devo admitir que o trabalho da substituta Rihanna DeVries está excelente. Por mais que ela soe como a Ashly algumas vezes, enquanto jogava eu esqueci que não era a mesma pessoa por trás da voz.

A trilha sonora do game até agora está sensacional, BRIGS, DAUGHTER! É mega perceptível como as músicas são fundamentais para dar o tom da cena, ajudando a gente a se envolver com o que está acontecendo. Pra mim, particularmente, isso ficou evidente no final do meu gameplay (de quase 4 horas!).

Sobre a conclusão do episódio, existe uma grande proximidade com a forma como terminaram os primeiros do título original. A "grande revelação", aproveitando a deixa, provavelmente não será uma surpresa, pois dá pra captá-la em um momento beem antes em que ela é mostrada, principalmente pra quem se lembra de detalhes da sinopse do jogo. O final em si, com o carvalho queimando, também não me pegou pelo coração tanto quanto outros momentos do Life is strange me pegaram. Mas confesso que fiquei bastante emocionada pelo que as duas personagens dividiram naquele momento, e por pensar no que acontece com elas no primeiro game.

Doeu.




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